Sump, o coração do aquário de jumbos

Por Renato Moterani – Fevereiro/2016

Existem coisas que quando surgem dividem eras, é o famoso “antes de” e “depois de”, isso foi o que aconteceu quando surgiu o sump, seu desenvolvimento permitiu que peixes de grande porte fossem realmente criados em cativeiro, pelo tempo total de sua vida natural.

Mas por que esse nome?

O Nome SUMP vem do inglês, é uma palavra usada para definir um reservatório de água subterrânea ou em nível mais baixo. O sistema levou esse nome porque é colocado na parte de baixo do aquário.

Aqui no Brasil existem alguns filtros montados na lateral, traseira ou até mesmo acima do aquário que levam o nome de sump, mas chamar um filtro lateral de sump é parecido com pedir um cheeseburger sem queijo…rs

Nomes a parte, não quero gerar (mais) polêmica e cada um chame seu filtro como quiser, vamos ao desenho dos sumps no geral.

Esse sistema trouxe vantagens enormes para nossos aquários, permitiu que vários sistemas de filtragem fossem interligados, pode ser montado de acordo com as necessidades de cada projeto, possibilitando variações quase infinitas, para qualquer tipo ou tamanho de aquário, seja ele água doce, salobra, marinho ou paludário.

Devido a essa infinidade de montagens possíveis, muitas informações erradas ainda são propagadas pela internet, isso acaba induzindo a erros de projeto, onde o filtro até vai funcionar, mas muito abaixo de sua capacidade.

Nesse artigo vou tentar explicar os conceitos básicos para a montagem de um bom sump, que seja eficiente e adequado a cada aquário, lembro que o modelo vai depender muito do projeto do aquário, o ideal para um pode não ser bom para outro, cada caso precisa ser estudado individualmente. Vale lembrar também que isso que irei dizer não é uma lei, isso é aquilo que vi e aprendi esses anos todos, como os sumps são feitos a mão, modelos diferentes, com desenhos totalmente diferentes desses que irei dizer podem existir e ser ótimos.

Para começar, vamos dividir os sumps em duas categorias, o marinho e os demais.

Essa divisão é porque os sumps usados hoje para marinhos são completamente diferentes daqueles usados nos demais tipos de aquário.

Não pretendo me aprofundar sobre os sumps para marinhos, mas vou mostrar aqui dois modelos, um mais completo, na figura 1 e outro mais simples na figura 2.

sump1

Figura 1 – Um modelo bom de sump marinho, a água ao sump, ai há alguma divergência, algumas pessoas preferem que ela passe primeiro por um shark bag ou perlon e só depois vá para o skimmer, algumas pessoas dizem que não é necessário, pode ir direto para o skimmer e só depois para os shark bags.

Skimmer – É um floculador ou escumador. Serve para retirar compostos da água antes que esses se transformem em amônia, aliviando assim consideravelmente o sistema como um todo, retira uma grande variedade de impurezas da água, sendo um dos mais importantes equipamentos para o aquário marinho. Quer uma dica? Se seu aquário tem 200 litros, compre um skimmer para 300 e nunca opte pelo mais barato, essa é daquelas coisas que vale a pena investir um pouco mais de dinheiro e comprar um bom.

Dali ele vai para a camada DSB ou deep sand bem, uma camada de areia com pelo menos 15cm de altura onde ocorrerá a filtragem biológica.

Mídias cerâmicas de alto rendimento, como o SIPORAX desempenham esse papel com maior eficiência.

Depois a água passa pelo carvão ativado e segue para a bomba de recalque.

De lá a água pode ser dividida com o uso de registros (a bomba de recalque precisa ser bem dimensionada para isso) e seguir para o UV, reatores e também de volta ao aquário passando ou não por chiller (vai depender da fauna existente).

sump2

Mas um sump para aquário marinho pode ser bem mais simples, como na figura 2, onde basicamente existem duas câmaras, uma para o skimmer e mídias e outra para a bomba, pode ser usado em montagens mais simples, com animais mais resistentes e menor densidade no tanque.

Agora vamos voltar ao foco desse artigo, os sumps para água doce e em especial para jumbos.

Primeiro é preciso escolher o modelo de sump, basicamente podemos dizer que existem dois modelos, o linear e o caracol.

O linear é o mais comum, onde o fluxo da água seque em uma direção, fazendo zig zag por entre as divisões, ótimo modelo para a maioria dos casos. A figura 3 mostra um sump linear modificado a partir do desenho do amigo Rodrigo Sgambati.

sump3

Mas e nos aquários mais largos, onde o espaço disponível é maior que 50cm de largura? Nesses casos o sistema linear pode ficar com câmaras muito grandes, para esses casos existe o sistema de caracol.

Esse sistema é ótimo para espaços quadrados, onde há boa largura, é o sistema de meus dois sumps e o fluxo de água segue uma espiral, como mostra a figura 4.

sump4

Modelo escolhido, agora é preciso dimensionar bem o sump em relação ao aquário em si, para jumbos um valor de cerca de 25% é o ideal, se puder fazer maior, não tem problema, é mais água no sistema, isso sempre ajuda no final das contas. Se for optar por um sump maior que 25%, é importante que as divisões do sump referentes a filtragem mecânica, química e biológica sejam baseadas nesses 25%, ou seja, um aquário de mil litros precisa de um sump com 250 litros, se for feito um com 500 litros, por exemplo, na hora de fazer as divisões você vai se basear em 250 litros para essas divisões, o espaço extra deve ser usados como engorda ou refúgio.

As medidas do sump também são importantes, ele pode ter todo o comprimento disponível, toda a largura disponível, mas nunca ser muito alto, o espaço entre o sump e o aquário é muito importante para sua manutenção, principalmente nos sumps em formato de caracol, com largura maior, não recomendo que sejam feitos com mais de 50cm de altura, o ideal vai variar de projeto a projeto e é sempre bom o aquarista fazer um ensaio, colocando uma caixa de papelão com a altura pretendida do sump e ver como será o acesso ao seu interior, se sentir dificuldade, reduza um pouco essa altura. Não se engane, depois dele montado, se ficou muito alto você terá sérios problemas se tiver que mexer em alguma coisa nas divisões.

E essas divisões, como devem ser feitas???

Bom… Ai começa a briga, sumps são como aquele molho especial que vai no hambúrguer daquelas grandes redes, cada um tem sua receita e todos dizem que a sua é a melhor.

Vou dizer aqui minha opinião, baseado naquilo que vi até hoje.

Considero que o ideal seja 20% do espaço para filtragem mecânica e química, 30% para a biológica e os 50% restantes fiquem como uma reserva de água, espaço para engorda e/ou refúgio e câmara da bomba/termostatos.

Agora sei que muita gente está se perguntando “Mas como assim só 30% do espaço para mídias?”. Por incrível que pareça, esse espaço é suficiente para toda a mídia que esse aquário vai precisar. Logo à frente irei falar sobre isso também…

Sabendo da divisão dos espaços surge outra pergunta: Como fazer as divisões e quantas divisões colocar?

A quantidade de divisões vai depender muito do tamanho do sump, a parte mecânica e química pode ter uma ou duas, no caso de duas, uma seria câmara de decantação, não precisa ter mais de 15cm, 12 costuma ser o bastante na maioria dos casos.

Mas é necessária essa câmara? Não é fundamental, ajuda, mas pode ficar sem, se não usar, é importante colocar alguma em cima do perlon para quebrar a força da água e distribuir melhor o fluxo sobre todo o perlon.

Quantidade de filtragem mecânica.

Não adianta ter muito perlon pessoal, 3 ou 4 camadas são mais que suficientes, espumas de tamanhos diferentes também podem ser usadas, mas precisam ser em gradiente (mais larga para mais fina), senão a primeira entope e as camadas finais não servem para nada.

A parte química pode ficar logo abaixo da mecânica, na mesma câmara, um quilo de carvão ativado para cada mil litros de água, trocado mensalmente. Purigen ou Mpure pode ser usado em conjunto, já que desempenha papel diferente, colocado preferencialmente na câmara da bomba ou no final da parte biológica.

Filtragem biológica:

Aqui vai dar briga também…

Quanto e como colocar, quantas divisões?

Mais uma vez, usando minha experiência nesses anos todos, segue minha opinião, que é minha, nem melhor, nem pior que a de outros.

Um aquário bem montado, equilibrado e com uma fauna adequada (ainda que em sistema de lotação), não vai precisar mais que 5% de seu volume total em cerâmica. Essa quantidade é o que cabe nos 30% que reservo para a parte biológica do sump.

É claro que o tipo da mídia tem grande influência nesse desempenho, não ache que usando argila expandida você vai conseguir manter esses valores. Falando em mídias alternativas, sempre surge a questão dos bio balls, bom, eles não servem para a maioria dos sumps, apenas valem a pena em sistemas de dry wet, ficando apenas recebendo a água por gotejamento.

Outro ponto polêmico, dividir essa cerâmica em quantas câmaras. Vamos a fatos.

A água vai sempre procurar o caminho com menor resistência para passar, logo, se você colocar 5 litros de mídia em um compartimento que caberiam 70, a água vai passar pelo lado e muito pouco será filtrado.

Muita cerâmica também não adianta, as bactérias precisam de 3 coisas para viver, um local onde morar, no caso a cerâmica, comida (amônia, nitrito e nitrato) e oxigênio no caso dos dois primeiros.

Não adianta ter casa e não ter comida ou ter casa, comida e não ter oxigênio.

Isso acontece em sumps com uma câmara muito grande lotada de mídia, vai existir áreas mortas por falta de circulação ou pela redução do teor de oxigênio devido à atividade bacteriana anterior a aquela área.

Resumindo, um aquário de 400 litros com um sump de 300 litros pela boca de cerâmica em uma única câmara corre o sério risco de ser menos eficiente do que um que use o sump de 100, bem montado e com apenas 20 litros de cerâmica.

Esse problema pode ser resolvido dividindo a cerâmica em várias câmaras, eu gosto de fazer divisões com capacidade para dez, vinte ou 30 litros em aquários maiores. Eu gosto de dividir em três câmaras a cerâmica, assim a cada passagem de uma divisão para a outra, a água perde parte do gás carbônico gerado pelas bactérias e ganha oxigênio, melhorando o processo.

A instalação de aeradores nas câmaras com cerâmica é opcional, mas também melhoram o desempenho destas.

Após isso, vem a parte final do sump, um reservatório maior, onde pode funcionar um refúgio para peixes feridos ou engorda e logo após a câmara da(s) bomba(s) de recalque, onde ficarão os termostatos também. Esse volume de 50% do sump para essa parte é necessária para que a engorda seja funcional, ou seja, que tenha espaço suficiente para permitir o crescimento dos peixes e haja água para evitar que a bomba funcione a seco.

É importante que a última passagem, da engorda para a câmara da bomba, seja feita por baixo, isso vai garantir que praticamente metade da água do sump esteja disponível para a bomba, com isso o intervalo para reposição de água por conta da evaporação será muito maior, coisa de uma vez por semana. Isso da maior tranquilidade ao aquarista, já que a água que evaporou pode ser reposta diretamente na TPA.

Bom pessoal, é isso, espero que esse artigo possa ajudar aos amigos aquaristas a ter sistemas de filtragem mais eficientes.

 

Sobre Renato Moterani 16 Artigos
Natural de São Paulo-SP, é aquarista desde 1986, na época foi a uma avicultura (não existia o termo Pet Shop..rs) e comprou um peixe chamado Oscar, colocou esse peixe junto dos neons e espada de seu irmão mais velho, duas semanas depois ganhou esse aquário do irmão, após todos os peixes serem devorados. É técnico contábil, Servidor Público estadual, trabalhando atualmente no Instituto Butantan, com produção e pesquisa sobre venenos de serpentes. Sempre mantendo peixes jumbo, se especializou na área e desde 2014 mantém o grupo Peixe Grande Aquarismo e a página de mesmo nome. Atualmente possui 4 aquários montados, o maior com 2.200 litros e o menor com 100.

4 Comentário

  1. Tenho vontade de montar um sump para mim, atualmente uso canister, mas como não tenho experiencia imagino que deve haver a possibilidade de nivel de agua dentro do sump transbordar caso a bomba pare? ou existe algum tipo de sistema que evita que isso aconteça ?

    • Essa limitação quem vai fazer é sua bota ou seu overflow, se caso acabe a energia a quantidade de água que descer será o suficiente para abaixar o nível no aquário a ponto de não ter mais captação e que essa quantidade de água não transborde.

  2. Amigo gostei muito do seu artigo, gostaria de fazer uma pergunta referente a um aquário que estou montando, tenho um aquário de 500l, e conto com um sistema de filtragem que consiste em dois canister de 2000l/h cada um totalizando 4000l/h e um filtro interno de 2000l/h para microparticolas, tem um espaço para um pequeno samp que cabe um aquário de 60l eu conseguiria fazer e ajudar na filtragem, seria válido mesmo sendo pequeno, minha ideia seria auxiliar na filtragem, mais queria uma opinião de quem sabe.

  3. Tenho um aquário de 500l mais só tenho espaço para um samp de de 60l eu consigo uma boa filtragem, seria para auxiliar pois tenho dois canister de 2000l/h cada e um filtro interno para partículas

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