Papaterra (Satanoperca pappaterra)

 

Satanoperca-pappaterra

Satanoperca pappaterra (Heckel, 1840)

Nome Popular: Cará, Carito, Papaterra — Inglês: Pantanal eartheater

Família: Cichlidae (Ciclídeos)

Origem: América do Sul: Bacia do rio Amazonas e bacia do rio Paraná

Tamanho Adulto: 19 cm (comum: 15 cm)

Expectativa de Vida: 8 anos

Temperamento: Pacífico

Aquário Mínimo: 100 cm X 40 cm X 50 cm (200 L)

Temperatura: 20°C a 28°C

pH: 5.5 a 7.6 – Dureza: 1 a 10

Visão Geral

Originalmente nativo do rio Guaporé no Brasil e Bolívia, alto do rio Paraguai no Brasil e norte do Paraguai, estas duas bacias estão ligadas durante período mais chuvoso do ano, através do vasto Pantanal, onde ambos têm suas cabeceiras.

S. pappaterra foi introduzido no alto do rio Paraná no sudeste do Brasil com vários registros no sistema tributário do rio Tietê, mas as populações de alto Tapajós, Tocantins-Araguaia e Xingu não são da mesma espécie.

Ocorre em canais principais dos rios, afluentes menores e lagos de várzea, tipicamente sobre substratos arenoso ou lamoso com folhas e galhos de árvores submersas. Em alguns casos, também pode ser encontrado em reservatórios artificiais.

Possui comportamento bastante peculiar para desencorajar ataques de Piranhas. Normalmente cerca de meia dúzia de espécimes do mesmo grupo se revezam vigiando, ao sinal do predador o confronta com a boca aberta e nadadeira dorsal erguida, desencorajando o ataque do restante das Piranhas.

Embora seja procurado por aquaristas, é relativamente raro no comércio de peixes ornamentais.

É facilmente distinguido de todas as demais espécies do gênero pela presença de uma série de manchas pretas proeminentes abaixo da nadadeira dorsal, além de uma listra escura bem definida que se estende ao longo de toda a lateral de seu corpo.

O gênero Satanoperca foi considerado sinônimo de Geophagus por varias décadas antes de ser revalidado por Kullander (1986).

Aquário & Comportamento

Aquário deverá conter substrato arenoso e macio (ver alimentação) devido suas necessidades. Substrato mais grosseiro como cascalho ou pedriscos de porte maior podem inibir sua alimentação ou até mesmo ser digerido podendo causar danos internos. A decoração vai do gosto pessoal do aquarista, sob condições de iluminação moderada e presença de raízes mostram comportamento mais natural. Considere 200 litros para abrigar um casal ou cerca de 400 litros para um pequeno grupo.

Seu comportamento, com exceção em época de reprodução, costuma ser pacífico e calmo. Por apresentar comportamento gregário e forte hierarquia, devem ser mantidos em grupo mínimo de cinco a oito espécimes. Quando mantidos em menor número, espécimes mais fracos tornam-se alvo do antagonismo de indivíduos dominantes ou as disputas tendem a ser mais frequentes por posições superiores na ordem hierárquica do grupo.

Reprodução & Dimorfismo Sexual

Ovíparo. Incubador bucal, os ovos são depositados em pequenos lotes em superfícies de plantas, rochas ou troncos, sendo fertilizado pelo macho sem seguida. Este processo pode ser repetido por inúmeras vezes. Após a eclosão dos ovos o macho poderá expulsar a fêmea (comportamento variável) e cuidar dos alevinos pelos próximos dias.

O dimorfismo sexual é pouco evidente, com fêmea sendo ligeiramente maior que o macho e sua região ventral é mais dilatada em época de reprodução.

Alimentação

Onívoro. Em seu ambiente natural alimentam-se de larvas de insetos, crustáceos, detritos vegetais e secundariamente pequenos peixes. A maior parte de seus alimentos é expelido através das aberturas operculares, produzindo uma nuvem de sedimentos, a medida que vão peneirando o substrato. Em cativeiro costumam aceitar alimentos secos e vivos sem dificuldades, devendo ser fornecido alimentos como tubifex, artêmias e larvas de mosquito, além de matéria vegetal e Spirulina regulamente.

Espécies do gênero Satanoperca são bentófagos por natureza, empregando um método de alimentação o qual uma porção de substrato é abocanhado e peneirado. Itens comestíveis são prontamente consumidos e o restante é expelido e descartado. Por esta razão, eles são comumente conhecidos como “Papa-terra’ e o fornecimento de um substrato adequado é essencial para o seu bem-estar a longo prazo em aquário.

EtimologiaSatanoperca do grego antigo Σατάν (Satanás), ou seja, “Satanás” (o diabo) e perca (pérkē), que significa ‘poleiro’. Pappaterra: a partir de um nome local atribuído a espécie, que literalmente significa “comedor de terra”.

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Referências

  1. Kullander, S.O., 2003. Cichlidae (Cichlids). p. 605-654. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
  2. Sazima, I. and F.A. Machado, 1990. Underwater observations of piranhas in western Brazil. Environ. Biol. Fish. 28:17-31.
  3. Sazima, I., 1986. Similarities in feeding behaviour between some marine and freshwater fishes in two tropical communities. J. Fish Biol. 29:53-65.
  4. Britski, H.A., K.Z. de S> de Silimon and B.S. Lopes, 2007. Peixes do Pantanal: manual de identificaçäo, 2 ed. re. ampl. Brasília, DF: Embrapa Informaçäo Tecnológica, 227 p.
  5. Idade e crescimento de Satanoperca pappaterra (Heckel, 1840) (Osteichthyes, Cichlidae) no reservatório de Itaipu, Estado do Paraná – Rodrigo Fernandes, Angela Maria Ambrósio, Edson Kiyoshi Okada
  6. Histologia do trato digestivo de Satanoperca pappaterra (Osteichthyes, Cichlidae) – Marlene Rodrigues da Silva, Maria Raquel Marçal Natali, Norma Segatti Hahn
  7. Heckel, JJ, 1840 – Annalen des Wiener Museus der Naturgeschichte v 2: 325-471.  do neue de Johann Natterer Flussfische Brasilien nach den Beobachtungen und Mittheilungen des Entdeckers beschrieben (Erste Abtheilung, Die Labroiden).
  8. López-Fernández, H., RL Honeycutt, and KO Winemiller, 2005 – Molecular Phylogenetics and Evolution 34(1): 227-244
    Molecular phylogeny and evidence for an adaptive radiation of geophagine cichlids from South America (Perciformes: Labroidei).

Ficha por (Entered by): Edson Rechi — Julho/2016

Colaboradores (collaboration): –

Sobre Edson Rechi 748 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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