Reprodução de Betta splendens

 

Autor: João Reinoldo Goi Junior

O fantástico Betta splendens é um dos peixes mais criados pela sua resistência e facilidade de criação. Que tal aprender a reproduzi-lo?

Para reproduzir seus bettas você vai precisar de peixes sexualmente maduros e bem alimentados, sendo que a fêmea deve estar “gordinha” e com um ponto branco na barriga, o que indica que ela está com ovos, pronta para desovar.

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Macho e fêmea respectivamente

O macho deve ser um pouco maior que ela para facilitar o abraço nupcial, e reagir agressivamente à presença de outros de sua espécie. Após ter escolhido o casal coloque o macho em um aquário de no mínimo 20 litros totalmente sem substrato e decoração, tendo apenas um copo de isopor cortado como suporte do ninho.

O fundo do aquário deve ser preto, facilitando assim a visualização dos ovos pelo casal (para isto você pode colar uma cartolina preta embaixo do aquário), e a altura da água deve ser menor que 12 cm evitando que a pressão mate os alevinos.

Após ter posto o macho, coloque a fêmea em “banho maria” dentro do aquário em um pote ou litro com a água na mesma altura da do aquário facilitando a visualização dela pelo macho. Prefiro litros, pois estes têm a vantagem de que podem ser cortados em cima e embaixo evitando muita movimentação no momento em que for soltar a fêmea.

O macho vai cortejar ela abrindo as nadadeiras, e começar a fazer o ninho de bolhas onde serão mantidos os ovos. Às vezes ocorre do macho não fazer ninho, isto pode acontecer por vários motivos: baixa temperatura (lembre-se a temperatura ideal é 28 °C), imaturidade, aquário sem tampa (que pode desmanchar o ninho pelas correntes de ar), entre outros fatores. Procure saber a causa do problema para resolvê-lo.
Depois de o ninho estar pronto solte a fêmea (o ninho está pronto quando para de “crescer” o que pode levar mais de dois dias).

O macho vai persegui-la e lhe dar umas pancadas, é um pouco violento, portanto separe apenas se ela apanhar muito, e caso isto ocorra tente soltar ela novamente mais tarde. Geralmente o acasalamento ocorre em no máximo 24 horas depois da fêmea ter sido solta, com raras exceções. O macho abraça a fêmea para ela expelir os ovos que são imediatamente fertilizados.

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Abraço nupcial. Foto: Francisco Maraschin

Nos primeiros abraços são expelidos poucos ou até nenhum ovo, mas logo começam a saírem vários, que são recolhidos gentilmente com a boca pelo pai, às vezes até pela mãe e são colocados no ninho de bolhas.

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Macho recolhendo os ovos após a desova. Foto: Francisco Maraschin

Ao todo são dados vários abraços, e a desova pode demorar até 4 horas, mas fique atento pois após a desova terminar a fêmea vai ficar em um canto do aquário ou tentar se esconder , então retire-a pois o macho vai bater nela na tentativa de defender os ovos.Após isto o pai vai se dedicar exclusivamente ao ninho, e para facilitar o trabalho dele uma luz deve ficar ligada o tempo todo (inclusive de noite) até ele ser retirado do aquário.

O macho pega com a boca os ovos que caem no fundo do aquário e recoloca-os no ninho, muda os ovos de lugar par a oxigenação e come os fungados evitando assim que os bons funguem também.

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Macho cuidando dos ovos. Foto: Francisco Maraschin

A eclosão ocorre de 24 a 48 horas e, após a eclosão o macho devolve ao ninho os filhotes que caem no fundo.

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Pai cuidando dos alevinos. Notem o saco vitelino na barriga dos filhotes – Foto: Francisco Maraschin – www.fmbettas.com.br

Neste período os alevinos não precisam de alimentação, pois todas as suas necessidades nutricionais serão supridas pelo saco vitelino.

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Alevinos terminando de absorver o saco vitelino. Foto: Francisco Maraschin

Após dois ou três dias quando o saco vitelino já foi totalmente absorvido, os filhotes começam nadar na posição horizontal, este é o momento de retirar o macho e começar a alimentação dos alevinos. A iluminação já pode ser desligada à noite.

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Fim da absorção do saco vitelino, filhote nadando na horizontal. Foto: Francisco Maraschin

Quando iniciar a alimentação coloque um aerador com pedra difusora (porosa) bem fraca para evitar muita movimentação na água. Isto é necessário, pois os alevinos não conseguem respirar o ar como os adultos, porque o labirinto ainda não está formado.

A alimentação dos alevinos é composta por náuplios de artêmia salina, infusórios e micro vermes. Para substituir os náuplios de artêmia podem ser utilizados ovos de artêmia sem casca, mas estes são um pouco maiores que os náuplios, portanto nem sempre são aceitos nos primeiros dias.

Após os alevinos completarem duas semanas de vida comece a fazer trocas parciais diárias de em média 50 % de água, e a cada troca aumente um centímetro da altura da água até encher o aquário. (A água da troca parcial deve ter a mesma temperatura e pH da do aquário evitando assim qualquer choque para os alevinos).
Quando estiverem com mais de um mês alimente com ração esfarelada, mas continue fornecendo artêmias.

Conforme forem crescendo aumente o tamanho das artêmias e comece dar à mesma alimentação dos adultos.
Os filhotes podem ser separados por tamanho em vários aquários para evitar canibalismo e quando conseguir diferenciar o sexo dos filhotes separe os machos em aquários individuais e deixe as fêmeas juntas, pois quando separadas ficam agressivas e podem provocar verdadeiros “problemas” em futuras reproduções.

Sobre Edson Rechi 756 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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