Bagre Cego (Pimelodella kronei)

Pimelodella kronei  (Miranda Ribeiro, 1907)
Espécime coletado na caverna Areias de Cima, Iporanga (SP)

Ficha Técnica

Ordem: Siluriformes — Família: Heptapteridae (Heptapterídeos)

Nomes Comuns: Bagre Cego, Ceguinho — Inglês: Blind catfish

Distribuição: América do Sul, bacia do rio Ribeira do Iguape em São Paulo (Brasil)

Tamanho Adulto: 20 cm (comum 13 cm)

Expectativa de Vida: 15 anos

Comportamento: desconhecido

pH: 7.0 a 8.0 — Dureza: desconhecido

Temperatura: 15°C a 22°C

Distribuição e habitat

Espécie endêmica do estado de São Paulo (Brasil), distribuído na bacia do rio Ribeira do Iguape.

Sua ocorrência está restrita a cavernas e riachos subterrâneos com corredeiras intercaladas por poções mais profundas.

Este peixe é a espécie-símbolo do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, sudeste do estado de São Paulo, ocorrendo em seis localidades: Caverna Areias, Caverna Águas Quentes, Ressurgência das Bombas, Caverna Córrego Seco, Ca­verna Alambari de Cima e Abismo do Gurutuva. (Maria Elina Bichuette – Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo.)

Foto cedida por Danté Fenolio (www.anotheca.com)

Descrição

Foi o primeiro peixe troglóbio descoberto no Brasil e um dos mais estudados. O Bagre cego é um peixe que por habitar cavernas é chamado cavernícola e que por só conseguir viver em ambientes subterrâneos é considerado um troglóbio.

Por viver isolado em um ambiente sem luz natural, esse peixe, assim como outros troglóbios, tem algumas carac­terísticas especiais. Exibem uma variação na pigmentação do corpo – desde cinza-escuros até totalmente despigmentados -, além de variação em relação aos olhos – que podem ser muito reduzidos ou mesmo não visíveis externamente. (Maria Elina Bichuette – Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo.)

Desde 1987, o Pimelodella kronei é considerado ameaçado de extinção. Ele quase desapareceu da CavernaAlambari de Cima por causa da água poluída por atividade de mineradoras. Além disto, a população de bagres da Caverna das Areias sofreu um grande declínio na década de 1970 em consequência de coletas não controladas por nenhum órgão fiscalizador e da visitação turística intensa. Atualmente.os bagres das Cavernas Areias e Águas Quentes estão mais protegi­dos porque lá a visitação turística é proibida. Mas, infelizmente, nenhum bagre foi registrado pelo menos nos últimos cinco anos na CavernaAlambari de Cima. Isso pode significar que os animais não conseguiram se restabelecer até o momento. (Maria Elina Bichuette – Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo.)

Criação em Aquário

Sua criação em aquário é inapropriada dada suas necessidades bastante peculiares. Há algumas coleções ilegais desta espécie vistas na internet, mas a extensão disto é desconhecida.

Comportamento

São animais sedentários, isto é, permanecem numa mesma região praticamente toda a vida. Por falar em vida, eles vivem entre 10 e 15 anos e crescem cerca de um milímetro por mês.

Diferentemente dos bagres que não vivem em cavernas, que passam boa par­te do tempo entocados e nadam principalmente no fundo dos rios, o bagre-cego pode ser visto nadando no fundo, no meio (na chamada coluna-d’água) e na su­perfície. Isso acontece porque por viver isolado no ambiente subterrâneo, onde a escuridão é permanente e há pouco alimento disponível, ele precisa se movi­mentar mais para conseguir sua comida e encontrar parceiros para reprodução. (Maria Elina Bichuette – Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo.)

Reprodução

Desconhecido em cativeiro. Para localizar e identificar parceiros os bagres-cegos baseiam-se no olfato. Assim, observou-se que a poluição das águas onde eles vivem pode prejudicar a reprodução destes animais, fazendo com que percam a capacidade de reconhecer uns aos outros.

Dimorfismo Sexual

Desconhecido

Alimentação

Os adultos são alimentadores generalistas e carnívoros oportunistas alimentando-se de invertebrados. Ocasionalmente se alimenta de detritos vegetais e até guano de morcegos.

No ambiente cavernícola, a ausência de luz impossibilita a existência de animais orientados pela visão e de organismos fotoautotróficos (aqueles que obtêm seus nutrientes com a ajuda da luz do sol – algas, plantas e cianobactérias). Isso resulta em um ambiente com escassez alimentar. Os nutrientes existentes nesses espaços muitas vezes vêm da área externa, incluindo detritos e matéria orgânica trazida pela água para dentro da caverna, fezes de morcegos (guano), animais mortos, esporos, bactérias ou outras pequenas espécies residentes na caverna (insetos, crustáceos, aracnídeos, anelídeos).

São animais que apresentam metabolismo lento e que consomem menos oxigênio. Assim, sobrevivem mais tempo em condições de escassez.

Etimologia: Pimelodelapimele (grego) = gordura, gordo + odosa, odela (grego) = dentes pequenos

SinônimosCaecorhamdella brasiliensis, Typhlobagrus kronei

Referências

  1. Bockmann, F.A. and G.M. Guazzelli, 2003. Heptapteridae (Heptapterids). p. 406-431. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
  2. Amaral, M.F., J.M.R. Aranha and M.S. Menezes, 1998. Reproduction of the freshwater catfish Pimelodella pappenheimi in Southern Brazil. Stud Neotrop Fauna & Environm.
  3. Trajano, E., 1997. Threatened fishes of the world: Pimelodella kronei (Ribeiro, 1907) (Pimelodidae). Environ. Biol. Fish.
  4. Trajano, E., 1991. Population ecology of Pimelodella kronei, troglobitic catfish from Southeastern Brazil (Siluriformes, Pimelodidae). Environ. Biol. Fish.
  5. Dinâmica populacional do bagre cego de Iporanga, Pimelodella kronei: 70 anos de estudo – Ana Luiza Feigol Guil e Eleonora Trajano
  6. Estudo da biologia do bagre cego, Pimelodella kronei, na localidade ressurgência das bombas – Eleonora Trajano
  7. Conheça o bagre-cego de Iporanga, peixe que só existe no PETAR (Sistema Ambiental Paulista) por Anna Karla Moura

Ficha por (Entered by): Edson Rechi — Junho/2017
Colaboradores (collaboration): –

Sobre Edson Rechi 734 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*