O pH no aquário

Autor: Marcos Mataratzis 

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Definição:

O pH (potencial Hidrogeniônico) é uma escala, semelhante a uma escala termométrica. Num termômetro avaliamos quente ou frio enquanto que na escala de pH avaliamos o grau de acidez ou de basicidade de uma solução. É, na verdade, a relação entre a quantidade de íons H+ (responsáveis pela acidez) e OH- (responsável pela basicidade ou alcalinidade) contidos na água. Trata-se de uma escala logarítmica que varia de 0 a 14. De 0 a 6,9 dizemos que a água está ácida (concentração de H+ maior do que a de OH-). De 7,1 a 14 ela está básica ou alcalina (concentração de OH- maior do que a de H+). O valor 7 representa a neutralidade (iguais concentrações de H+ e de OH-).

A maioria dos peixes de aquário vivem num pH compreendido na faixa de 5,5 a 8,5. Algumas espécies preferem águas ácidas. Outras preferem alcalinas. Outras preferem águas bem perto da neutralidade (vamos expandir o termo neutralidade aqui para o intervalo compreendido entre 6,8 e 7,2).

Manter o pH dentro da faixa desejada para nossos peixes nem sempre é tarefa muito fácil pois dependemos da água de nossas torneiras para repor a água de nossos aquários e nem sempre seu pH é apropriado. As vezes precisamos usar corretores para tentar igualar o pH da água da torneira com o do aquário. Tais corretores podem ser comprados nas próprias lojas de aquarismo (acidificantes e alcalinizantes) ou podemos usar soluções caseiras, conforme veremos adiante.

Outra questão a ser levada em consideração é que o aquário, embora seja um sistema fechado, é um local onde diversas reações químicas estão acontecendo e, portanto, novas substâncias estão sendo formadas sendo que algumas delas podem alterar o pH.

Como sabemos, o metabolismo dos peixes assim como a decomposição de restos de alimentos ou plantas mortas liberam amônia na água. Tal substância é consumida por bactérias nitrificantes do chamado Ciclo do Nitrogênio e transformada, inicialmente, em ácido nitroso (comumente chamado de nitrito) e mais tarde em ácido nítrico (conhecido entre os aquaristas como nitrato). Os nitritos são logo transformados em nitratos e estes se acumulam na água e são eliminados nas Trocas Parciais de Água (TPAs). Vale ressaltar que o ácido nítrico é um ácido forte e que portanto, contribui significativamente para aumentar a quantidade de cátions H+. Consequentemente, baixa o valor do pH. Sendo assim, o aquarista fica avisado que existe uma tendência natural da água de nossos aquários em se tornar mais ácida.

Vários outros objetos usados na decoração do aquário também podem contribuir para alterar o pH da água. Troncos, por exemplo, liberam lentamente na água vários tipos de ácidos (todos fracos) que contribuem um pouco para baixar o pH. Rochas calcárias, por outro lado, aumentam a concentração de ânions hidroxilas, que elevam o pH.
Alguns aquaristas, possuidores de aquários plantados costumam borbulhar CO2 (dióxido de carbono) em seus aquários para suprir as necessidades de suas plantas. Tal CO2 se combina com a água do aquário formando H2CO3 (ácido carbônico) que, embora seja um ácido fraco, também contribui para baixar o pH. Turfa, usada como abrandador de dureza, também acidifica a água, assim como folhas de tamarindo ou de amendoeira.

A manutenção do pH também depende do que chamamos de dureza de carbonatos ou Reserva Alcalina. Tal reserva funciona como se fosse um “estoque” de hidroxilas que, serão usadas para consumir eventuais excessos de cátions H+ que sejam formados. Quanto maior for a reserva alcalina, mais estável é o pH.

Tanto o pH quanto a reserva alcalina (também chamada kH) podem e devem ser monitorados periodicamente em nossos aquários para garantirmos aos nossos peixes um ambiente compatível com o de seu habitat. Ligeiras correções podem ser feitas com os corretores disponíveis nas lojas ou usando alguns dos citados acima.

O bicarbonato de sódio também pode ser usado para alcalinizar a água. Nesses casos é preferível usar um solução saturada deste sal ao invés de usá-lo na forma sólida.

O preparo de tal solução é feito da seguinte maneira: Dissolva o máximo de bicarbonato de sódio que conseguir em 200 mL de água quente. Espere esfriar e transfira tal solução para uma garrafa PET que será usada sempre que necessário. Uma colher de sopa dessa solução adicionada em um balde de 10 litros dágua faz seu pH subir alguns décimos.

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