Pacu de Guelra Vermelha (Myloplus asterias)

Nome Científico: Myloplus asterias (Müller & Troschel, 1844)
Ordem: Characiformes — Família: Serrasalmidae
Nome popular: Pacu Galo, Pacu de Guelra Vermelha — Inglês: Redgill pacu
Distribuição: América do Sul, Bacia do rio Amazonas
Etimologia: Myloplus, Mylo Deriva do grego mylos (mós ou pedra de moinho), uma alusão direta ao formato circular e achatado do corpo do peixe, que lembra um disco. Também faz referência à sua proximidade morfológica com o gênero Myleus + Plus que significa “mais” ou “adicional” em grego, indicando que se tratava de “mais um gênero semelhante a Myleus.
Asterias, epíteto vem do grego asterías (ἀsteρίας), que significa “estrelado” ou “salpicado de estrelas”. Uma referência direta às manchas circulares alaranjadas e brilhantes que o peixe apresenta espalhadas pelas laterais do corpo, assemelhando-se a um céu estrelado.
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante (2026)
Sinônimos: Myletes asterias, Myletes ellipticus, Myleus gurupyensis, Myloplus schulzei
Descrição
O Pacu de Guelra Vermelha é morfologicamente muito parecido com o seu parente próximo, o Myloplus rubripinnis. Estudos modernos utilizando sequenciamento de DNA ajudam biólogos a diferenciar linhagens idênticas visualmente, descobrindo novas espécies crípticas na região amazônica.
Possui corpo fortemente achatado lateralmente e discoide (circular), uma característica típica dos chamados “silver dollars” ou pacus-CD. A região do abdômen apresenta uma série de pequenas escamas modificadas em formato de serra (serrilhas ventrais).
Apresenta uma cor predominantemente prateada brilhante. Laterais salpicadas por manchas circulares alaranjadas ou avermelhadas (que deram origem ao nome asterias, ou estrelado). A região opercular (guelras) exibe uma coloração vermelha intensa na época reprodutiva, e a nadadeira anal costuma ter uma borda avermelhada ou escura.
A boca é terminal. Diferente das piranhas, possui dentes molariformes (achatados e fortes, parecidos com os molares humanos), perfeitamente adaptados para triturar vegetais, quebrar sementes duras e cortar pedaços de frutos que caem na água.
Durante a época das cheias, entra nas florestas inundadas (igapós) para se alimentar de frutos e sementes que caem das árvores. Como possui um sistema digestivo que não destrói todas as sementes que engole, ele as transporta por longas distâncias. Ao defecar, o peixe dispersa essas sementes prontas para germinar, ajudando a plantar novas árvores ao longo das margens dos rios.
Ele ajuda a reflorestar as margens dos rios naturalmente através de suas fezes, mantendo o equilíbrio do ecossistema.
O corpo extremamente achatado e a coloração prateada brilhante não são apenas bonitos; funcionam como um mecanismo de defesa. Quando o peixe nada de lado ou faz curvas rápidas na água clara, o seu corpo reflete a luz do sol como se fosse um espelho. Isso confunde momentaneamente predadores maiores permitindo sua fuga.
- Tamanho Adulto: 25 cm
- Expectativa de Vida: 10 anos +

Distribuição e Habitat
Bacia do Rio Amazonas e rios do Escudo das Guianas.
Países: Brasil, Guiana e Venezuela.
No Brasil ocorre nos estados do Amapá, Amazonas, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Piauí , Rondônia, Roraima e São Paulo.
Ambiente: Água doce
Habitat: Prefere rios de médio a grande porte com fluxo de água moderado a rápido. Durante a estação chuvosa, o peixe migra para dentro das florestas cheias para se alimentar de frutos e sementes caídos na água.
Abriga-se frequentemente sob troncos caídos, galhadas e densa vegetação marginal, locais que oferecem proteção contra predadores.
- pH: 6.0 a 7.0
- Dureza: 2 a 10 dH
- Temperatura: 23°C a 29°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 400 litros com comprimento mínimo de 200 cm e 50 cm de largura desejável.
Apesar de não crescer tanto, a espécie possui o corpo alto, exigindo bastante espaço para girar e nadar. Devido ao forte hábito herbívoro, devorará qualquer planta natural do aquário. O tanque deve ser decorado apenas com troncos e rochas.
Como eles raspam troncos e rochas atrás de algas, os equipamentos internos (como aquecedores e termostatos) devem ter protetores para evitar acidentes. Eles literalmente comem fios e tudo mais o que estiver exposto.
Peixes herbívoros processam muita matéria vegetal, gerando uma quantidade alta de fezes e detritos. É indispensável um sistema de filtragem robusto (Sump ou Canister) com alta vazão.
Comportamento e Compatibilidade: Sua agressividade é relativamente baixa, mas muito ativo e territorial com a própria espécie quando o espaço é insuficiente, formando uma hierarquia. Pacífico com outras espécies que não caibam em sua boca. Evite peixes muito pequenos.
São peixes que facilmente se estressam. Movimentos bruscos na frente do vidro ou luzes intensas podem assustá-los, fazendo-os nadar erraticamente e se chocar contra os vidros ou decorações.
- Área de Natação: Fundo / Meio
- Quantidade mínima: Grupo
- Nível de dificuldade: Médio

Alimentação
Possui uma alimentação essencialmente onívora com forte tendência herbívora (frugívoro/granívoro).
A sua dieta muda conforme o regime das chuvas na Amazônia. Secundariamente, ou durante a escassez de frutos, se alimenta de insetos aquáticos e terrestres que caem na superfície da água, além de pequenos crustáceos e moluscos fixados na vegetação.
Durante a época das cheias, o peixe entra nas florestas inundadas (igapós) e várzeas. Ele se alimenta de frutos que caem das árvores, como o fruto da palmeira jupati, muru-muru e sementes de seringa. Seus dentes molares fortes conseguem quebrar cascas bastante duras.
Consome grandes quantidades de folhas terrestres que caem na água, macrófitas aquáticas (plantas flutuantes) e algas filamentosas fixadas em troncos e rochas nas áreas de corredeira.
Reprodução
Ovíparo. Ocorre na natureza em sincronia com o pulso de cheia dos rios amazônicos, entre os meses de cheia e vazante. A espécie tem desova total, libera ovos semilíticos (flutuam e derivam com a correnteza) na coluna d’água e apresenta desenvolvimento ontogênico rápido para garantir a sobrevivência.
As larvas nascem com tamanho reduzido e se desenvolvem rapidamente, apresentando características morfológicas específicas (como 37 a 39 mm) que as distinguem de outras espécies do mesmo gênero
- Maturidade Sexual: Próximo de 12 meses
- Cuidado Parental: Não ocorre
Dimorfismo Sexual: Fêmeas possuem o abdômen visivelmente mais arredondado e robusto, característica que se acentua muito no período de desova. Enquanto os machos podem desenvolver extensões filamentosas mais longas na nadadeira dorsal e uma modificação bilobada (em formato de dois lobos) na nadadeira anal durante a maturação sexual.

Referências
- Jégu, M., 2003. Serrasalminae (Pacus and piranhas). p. 182-196. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
- Lopez, H.L., R.C. Menni and A.M. Miguelarena, 1987. Lista de los peces de agua dulce de la Argentina. Biologia Acuatica No. 12, 50 p. (Instituto de Limnologia “Dr. Raul A. Ringuelet”).
- Integrative taxonomy reveals a new species of pacu (Characiformes: Serrasalmidae: Myloplus) from the Brazilian Amazon — Valéria Nogueira Machado, Marcelo C. Andrade, Rupert A. Collins, Izeni Pires Farias, Tomas Hrbek
- Brejão, G.L. 2024. Myloplus asterias. The IUCN Red List of Threatened Species 2024: Accessed on 03 July 2026.
- Early development of two commercially valuable fish from the lower Amazon River, Brazil (Characiformes: Serrasalmidae) — Lucas Silva de Oliveira, Ruineris Almada Cajado, Fabíola Katrine Souza da Silva, Marcelo Costa Andrade, Diego Maia Zacardi — Laboratório de Ecologia do Ictioplâncton e Pesca em Águas Interiores, Instituto de Ciências e Tecnologia das Águas, Universidade Federal do Oeste do Pará
Publicado em Julho/2026