Corydora Anã (Corydoras hastatus)

 

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Classificação

Corydoras hastatus (Eigenmann & Eigenmann)

Classe: Actinopterygii   Ordem: Siluriformes  FamíliaCallichthyidae

Nomes comuns: Corydora Anã, Camboatazinho, Corydora Pimenta, Coridora Anã — Inglês: Dwarf corydoras, Dwarf Catfish, Pygmy Cory, Micro catfish

Grupo Aquário: Corydoras

Ambiente & parâmetros da água

Água doce • pH: 6.0 – 7.6 • Dureza: 5 – 15  Temperatura: 20°C – 30°C

Encontrado em meio a plantas em pequenos cardumes.

Tamanho adulto:

3 cm (comum 2 cm) Estimativa de vida: 5 anos +

Distribuição

América do Sul; Bacia do Amazonas, Paraguai e alto do Paraná. Nativo da Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Corydoras hastatus-map
Mapa por Discover Life

Manutenção em aquário & Comportamento

Aquário com dimensões mínimas de 40 cm X 30 cm X 30 cm (36 litros) requerido. Utilizar preferencialmente substrato arenoso e macio. Plantas de folhas grandes e raízes desejável criando refúgios e zonas para repousarem. Apreciam fluxo levemente lótico, mas podem ser mantidos em águas mais calmas.

É uma espécie bastante pacífica e gregária, devendo ser mantido em grupo de pelo menos 10 indivíduos. Em seu ambiente natural pode ser encontrado em cardumes variando de 20 ou mais espécimes. Deve ser mantido com peixes igualmente pacíficos e de pequeno porte.

Devido sua capacidade de respirar ar atmosférico, comumente pode ser visto nadando rapidamente até a superfície para engolir ar e voltar para baixo para repousar. São conhecidos por “piscar” os olhos, quando na verdade os olhos giram em suas órbitas causando a impressão de estarem piscando.

Alimentação

Onívoro, em seu ambiente natural se alimentam de vermes, crustáceos, insetos e matéria vegetal. Em cativeiro aceitará alimentos secos e vivos sem dificuldades. Como a maioria das Corydoras, irão comer alimentos que se depositam no fundo do aquário.

Esta espécie costuma ser mais ativa a noite, devendo fornecer alimentos ao apagar as luzes do aquário, embora se alimentem também durante período diurno, porém são lentos para comer podendo não competir com outros peixes pelo alimento.

Infelizmente estes peixes são taxados erroneamente como peixe limpador e que se alimentam de restos de rações e fezes dos demais peixes. Sob nenhuma circunstância deve-se esperar que sobrevivam com ‘sobras’ de outros habitantes do aquário e muito menos de fezes de outros peixes, devendo ser fornecido alimentos apropriados incluindo rações específicas para peixes de fundo e alimentos vivos regularmente.

Reprodução e dimorfismo sexual

Ovíparo. Depositam seus ovos em meio à densa vegetação e pais não cuidam da progênie. A fêmea prende alguns poucos ovos entre suas nadadeiras pélvicas, onde o macho irá fertilizá-los por cerca de 30 segundos. Só então a fêmea irá levar os ovos adesivos para algum local escolhido previamente, normalmente em folhas ou superfícies planas. A dupla repete este processo a cada três minutos por uma a duas horas, com descansos de 10 a 15 minutos entre o lançamento dos ovos. Por volta de 7 a 15 ovos são gerados num único dia e a desova pode levar de três a quatro dias consecutivos. Um total de 30 a 60 ovos pode ser gerado por uma única fêmea ao longo deste período de tempo. Os ovos eclodem em 3-9 dias.

Dimorfismo Sexual

Os machos são menores, mais finos e tem a nadadeira dorsal mais pontuda do que as fêmeas. Fêmeas são ligeiramente maiores e mais gordas. Com na maioria das Corydoras, são facilmente distinguidos olhando de cima onde as fêmeas são mais encorpadas (barriga maior e mais arredondada) do que os machos.

Galeria de imagens

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Descrição

Seu corpo é tipicamente mais alongado do que outras espécies de Corydoras e de coloração branca translúcida a levemente verde-oliva com uma listra fina escura nas laterais de seu corpo. ​Sua barriga é esbranquiçada. Apresenta coloração branca na base da cauda em torno de uma mancha negra. Junto com C. pygmaeus e C. habrosus são comumente referidas como Corydora Anã.

C. hastatus pode ser confundido com C. pygmaeus, mas são facilmente distinguidos pelo padrão de cor, uma vez que em C. hastatus existe uma mancha escura em forma de diamante no pedúnculo caudal, enquanto em C. pygmaeus está ausente. Este último apresenta uma faixa lateral escura em seus flancos.

Suas exibições morfológicas e adaptações como olhos grandes, posição terminal da boca, forma do corpo (mais simétrica que outras Corydoras) e nadadeira caudal, indicam que vivem em áreas pelágicas. Este comportamento pode ser visto quando mantidos em aquário, onde preferem passar a maior parte de seu tempo nadando em meia água ao invés de ficar próximo ao fundo, comportamento incomum na maioria das Corydoras. Outras espécies de Corydoras Anãs como C. habrosus e C. pygmaeu possuem o mesmo hábito, mantendo sua posição em meia água normalmente utilizando a correnteza para se manterem posicionados.

Este comportamento também permite que formem grandes agregações com outras espécies de peixes semelhantes como pequenos caracídeos Serrapinnus kriegi, Aphyocharax nattereri e Hyphessobrycon elachys. Este fenômeno de se unir a múltiplas espécies de formas e cores semelhantes é comum no gênero, embora normalmente seja demonstrado por espécies de Corydoras simpátricas que mantém o mesmo padrão. A razão deste comportamento é para se proteger de predadores e também procurar alimentos tirando proveito de estarem num grupo maior e consequentemente exploram contrastantes nichos ecológicos.

O gênero Corydoras está entre os maiores grupos de peixes gato e atualmente contém mais de 150 espécies válidas. Pertence à família Callichthyidae, dos quais membros são muitas vezes referidos coletivamente como peixe gato blindado, devido à presença de placas ósseas no lugar das escalas sobre o corpo. Sua taxonomia pode ser confusa e apresenta várias espécies não descritas. Peixe com identificação não confirmada é atribuído um “C” mais um número para identificar a espécie.

Possui dois espinhos em suas extremidades junto as nadadeiras peitorais, este mecanismo serve como defesa contra predadores. Ao ser molestada, os espinhos são projetados ferindo o predador. Há relatos de que esta espécie possui glândulas de veneno em suas nadadeiras (principalmente peitorais) e parecem ser capazes de liberar uma espécie de muco venenoso de suas brânquias quando molestado por outros peixes (questionável). Os espinhos duros da nadadeira peitoral são capazes de perfurar a pele humana e uma ‘picada’ pode ser muito dolorosa, de fato, por isso deve-se ter atenção durante o manuseio.

Eles são respiradores aéreos facultativos e possuem o intestino modificado e altamente vascularizado que evoluiu para facilitar a absorção de oxigênio atmosférico e ajudar na sobrevivência em ambientes privados de oxigênio. No aquário você ocasionalmente poderá vê-los subindo à superfície para tomar goles de ar.

Esta espécie possui senso olfativo bastante evoluído e seus barbilhões permitem que ela encontre alimentos enterrados no substrato. Como a maioria dos peixes gatos, é uma espécie blindada não possuindo escamas, apresentando duas fileiras de placas ósseas em cada lateral de seu corpo cobrindo a região da cabeça. Seu nome Corydora vem do grego, kory (capacete) e doras (pele).

São considerados como peixes de “couro” e possuem uma camada bastante fina de muco epitelial externo, não suportando a presença de sal na água, podendo facilmente levá-lo a morte por desidratação devido a diferença osmótica criada.

Sinônimos: Corydoras australe

Etimologia: Corydoras: Grego, kory = capacete + grego, doras = pele

Referências

  1. Robins, C.R., R.M. Bailey, C.E. Bond, J.R. Brooker, E.A. Lachner, R.N. Lea and W.B. Scott, 1991. World fishes important to North Americans. Exclusive of species from the continental waters of the United States and Canada. Am. Fish. Soc. Spec. Publ. (21):243 p.
  2. Britski, H.A., K.Z. de S> de Silimon and B.S. Lopes, 2007. Peixes do Pantanal: manual de identificaçäo, 2 ed. re. ampl. Brasília, DF: Embrapa Informaçäo Tecnológica, 227 p.
  3. Nomura, H., 1984. Nomes científicos dos peixes e seus correspondentes nomes vulgares. In H. Nomura (ed.). Dicionário dos peixes do Brasil. Editerra, Brasília, Brasil: 27-63.
  4. Skelton, P.H., 2001. A complete guide to the freshwater fishes of southern Africa. Cape Town (South Africa): Struik Publishers, 395 p.
  5. Burgess, W.E., 1992. Colored atlas of miniature catfish. Every species of Corydoras, Brochis and Aspidoras. T.F.H. Publications, Inc., USA. 224 p.

Ficha por (Entered by): Edson Rechi — Fevereiro/2015 — Atualizado Dezembro/2015
Colaboradores (collaboration): –

 

Sobre Edson Rechi 848 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

18 Comentário

  1. Otímo texto! Parabéns. Estou encontrando problemas com as minhas cordoarias hastatus no meu aquário em relação ao seu comportamento. Passam o dia escondidas sem se mover praticamente por trás das plantas em um canto do aquário, nem mesmo para buscar as comidas que eu li serem suas favoritas. Tem ideia do que pode ser? O aquário que elas estão tem um grupo de Rasboras Galaxy.

     

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