Bagre Africano (Clarias gariepinus)

Clarias gariepinus  (Burchell, 1822)
Foto gentilmente cedida por Johnny Jensen – http://www.aquariumphoto.dk

Ficha Técnica

Ordem: Siluriformes — Família: Clariidae (Clarídeos)

Nomes Comuns: Bagre Africano — Inglês: North African catfish

Distribuição: África, amplamente distribuído no continente africano e parte do asiático

Tamanho Adulto: 90 cm (comum: 50 cm)

Expectativa de Vida: 15 anos

Comportamento: predador

pH: 6.0 a 8.0 — Dureza: 5 a 28

Temperatura: 8°C a 35°C

Distribuição e habitat

Amplamente distribuído em todo continente africano e parte do asiático na Jordânia, Israel, Líbano, Síria e sul da Turquia.

Introduzido em todo o mundo no início da década de 1980 para fins da aquicultura, principalmente no Brasil, Vietnã, Indonésia e Índia, onde se tornou uma espécie invasora causando importantes impactos ambientais.

Adultos ocorrem principalmente em águas tranquilas em lagos e pequenos riachos, preferindo áreas pouco profundas e pantanosas com substrato macio e arenoso. Ocasionalmente podem ser encontrados em rios lóticos e em corredeiras.

Foto obtida em FishBase

Descrição

Apresenta corpo esbelto, cabeça óssea plana (mais lisa em comparação com outros siluros), boca larga e terminal com quatro pares de barbilhões.

Possui um órgão respiratório acessório que permite respirar ar atmosférico, podendo sobreviver em ambientes com baixo índice de oxigênio. Permanecem nos substratos enlameados de lagoas e ocasionalmente engolem ar através da boca. Pode deixar a água à noite utilizando suas fortes nadadeiras e espinhas, em busca de alimentos em terra ou migrando para outros corpos de água para se reproduzir.

Durante as interações agressivas intra-espécie, observou-se que esta espécie gerou descargas monofásicas através de órgãos elétricos localizados em sua cabeça e que duraram de 5 a 260 ms.

Bastante comum na aquicultura, é um alimento bastante comum na África sendo comercializado vivo ou congelado.

O nome comum é derivado da sua capacidade natural de se mover através da terra usando suas espinhas peitorais rígidas, desde que seu corpo permaneça úmido. Possui poros especiais produzindo mucosas em seu corpo para ajudar e pode selar suas brânquias para evitar a perda de umidade.

Criação em Aquário

Aquário com dimensões mínimas de 200 cm de comprimento e 60 cm de largura desejável.

O comprimento e lateral do aquário são mais importantes do que a altura. Substrato macio com inúmeras tocas formando refúgios é necessário para se abrigar, uma vez que a espécie possui hábito noturno.

Devido sua capacidade de respirar ar atmosférico, é comum a espécie querer fugir do aquário principalmente no período noturno. Desta forma deve-se tampar muito bem o aquário para evitar fugas.

É uma espécie incrivelmente resistente, sendo tolerante a uma ampla gama de química e temperatura da água.

Comportamento

Possui comportamento pacífico, porém altamente predatório podendo comer qualquer peixe que couber em sua boca.

Pode ser criado em aquário comunitário com peixes de grande porte. Espécimes juvenis possuem taxa de crescimento bastante rápida, sendo indicado inserir outas espécies de peixes adultos para evitar que sejam devorados.

Foto gentilmente cedida por http://www.anglingthailand.com/

Reprodução

Ovíparo. A propagação ocorre principalmente durante a noite em áreas rasas e inundadas de rios, lagos e riachos. Os peixes realizam migração para planícies inundadas para se reproduzir e retornam ao rio ou lago logo após o ritual de reprodução, enquanto os juvenis permanecem na área inundada.

Os juvenis retornam ao lago ou ao rio quando estão entre 1,5 e 2,5 cm de comprimento. A primeira maturação sexual ocorre quando as fêmeas estão com tamanho entre 40-45 cm e machos entre 35-40 cm. Os ovos são esverdeados. As incubações duram pouco (cerca de 33 horas a 25 ° C).

Machos se tornam extremamente agressivos entre si devido a disputas por fêmeas. Uma vez estabelecido o local de desova, normalmente uma caverna na beira do rio ou em um buraco cavado pelos pais no substrato, o macho se dobra em forma de U em torno da cabeça da fêmea, se mantendo nesta posição por vários segundos. Um lote de ovos é liberado, seguido de uma mistura vigorosa da cauda da fêmea para distribuir os ovos em uma ampla área. O par geralmente repousa após o acasalamento (de segundos até vários minutos) e, em seguida, retoma o acasalamento.

Não ocorre cuidado parental, exceto pela escolha do local que será realizado a reprodução.

Dimorfismo Sexual

Fêmeas costumam ser um pouco maiores e seu corpo mais roliço principalmente na região ventral, enquanto machos apresentam corpo mais retilíneo.

Alimentação

Onívoro, devido à sua boca larga é capaz de engolir presas relativamente grandes. Em seu ambiente natural costuma se alimentar a noite de uma grande variedade de presas como insetos, plâncton, invertebrados e peixes, mas também pode predar pássaros jovens, carnes e plantas apodrecidas.

Em aquário é uma espécie gananciosa que comerá praticamente qualquer alimento oferecido. É recomendável uma mistura variada de grânulos secos, alimentos congelados com carne e matéria vegetal.

Os espécimes adultos não precisam ser alimentados todos os dias. Tenha cuidado ao alimentar, pois este é um peixe que simplesmente não sabe quando parar de comer!

Etimologia: Clarias vem do grego chlaros = animado, em referência à capacidade dos peixes de viver por um longo tempo fora da água.

Gariepinus nomeado em alusão ao rio no qual foi encontrado, rio Gariep na África do Sul.

Sinônimos: Silurus gariepinus, Clarius gariepinus, Macropteronotus charmuth, Clarias capensis, Clarias lazera, Clarias syriacus, Clarias mossambicus, Clarias macracanthus, Clarias orontis, Clarias xenodon, Clarias robecchii, Clarias smithii, Clarias microphthalmus, Clarias micropthalmus, Clarias guentheri, Clarias longiceps, Clarias moorii, Clarias tsanensis, Clarias vinciguerrae, Clarias malaris, Clarias notozygurus, Clarias epressus, Clarias muelleri, Heterobranchus anguillaris, Macropteronotus anguillaris, Silurus anguillaris

Referências

  1. Teugels, G.G., 1986. A systematic revision of the African species of the genus Clarias (Pisces; Clariidae). Ann. Mus. R. Afr. Centr., Sci. Zool., 247:199 p.
  2. Riede, K., 2004. Global register of migratory species – from global to regional scales. Final Report of the R&D-Projekt 808 05 081. Federal Agency for Nature Conservation, Bonn, Germany. 329 p.
  3. Witte, F. and W. de Winter, 1995. Appendix II. Biology of the major fish species of Lake Victoria. p. 301-320. In F. Witte and W.L.T. Van Densen (eds.) Fish stocks and fisheries of Lake Victoria. A handbook for field observations. Samara Publishing Limited, Dyfed, Great Britain.
  4. de Moor, I.J. and M.N. Bruton, 1988. Atlas of alien and translocated indigenous aquatic animals in southern Africa. A report of the Committee for Nature Conservation Research National Programme for Ecosystem Research. South African Scientific Programmes Report No. 144. 310 p. Port Elizabeth, South Africa.
  5. van Oijen, M.J.P., 1995. Appendix I. Key to Lake Victoria fishes other than haplochromine cichlids. p. 209-300. In F. Witte and W.L.T. van Densen (eds.) Fish stocks and fisheries of Lake Victoria. A handbook for field observations. Samara Publishing Limited, Dyfed, Great Britain.
  6. Robins, C.R., R.M. Bailey, C.E. Bond, J.R. Brooker, E.A. Lachner, R.N. Lea and W.B. Scott, 1991. World fishes important to North Americans. Exclusive of species from the continental waters of the United States and Canada. Am. Fish. Soc. Spec. Publ. (21):243 p.
  7. Weyl, O.L.F. and A.J. Booth, 2008. Validation of annulus formation in otoliths of a temperate population of adult African sharptooth catfish Clarias gariepinus using fluorochrome marking of wild fish. J. Fish Biol. 73:1033-1038.

Ficha por (Entered by): Edson Rechi — Junho/2017
Colaboradores (collaboration): –

Sobre Edson Rechi 606 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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