Memória de peixe é ruim? Estudo prova que não é bem assim

Pesquisa feita com peixes-dourados descobriu que esses animais podem memorizar trajetos a partir de pontos de referência

 

Um estudo desenvolvido na Universidade de Oxford descobriu que a memória dos peixes pode não ser tão ruim quanto imaginávamos. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores realizaram um experimento treinando peixes-dourados para nadar uma distância de 70 cm e depois parar quando alguém acenava sobre o tanque onde eles viviam. Quando paravam, os animais recebiam um petisco como incentivo.

Em um segundo momento, o mesmo teste foi realizado, mas sem a parte do aceno. Foi quando identificaram que os animais ainda se lembravam de nadar quase exatamente a mesma distância – 74 cm, em média – e parar para receber o alimento.

Segundo os pesquisadores, os peixes usavam como referência listras no tanque para saber onde parar, da mesma forma que eles podem usar rochas, algas ou galhos submersos na natureza. Para provar essa teoria, eles colocaram as listras mais próximas uma da outra, o que acabou deixando os animais confusos. Nesse caso, os peixes nadaram aproximadamente 47 cm.

Experimentos anteriores provaram que alguns peixes-dourados também podem usar o número de vezes que movem suas nadadeiras para avaliar a distância. No entanto o estudo sugere que eles não utilizam o tempo de uma viagem para avaliar o quão longe precisam ir.

Segundo o artigo, publicado na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, o tempo pode ser uma estratégia ruim para a navegação dos peixes-dourados porque, na natureza, eles frequentemente param no meio da jornada por socializar, acasalar ou tentar encontrar comida.

A pesquisa ainda assinala que é importante que os peixes entendam o conceito de distância para que possam encontrar abrigo depois de uma jornada em busca de comida ou quando forem perseguidos por um predador.

O próximo passo da pesquisa é tentar descobrir se os peixes, como os humanos e outros mamíferos, têm células de ‘grade’ e de ‘lugar’ em seu cérebro – neurônios que ajudam um animal a se localizar. Isso pode revelar quando os mamíferos se diferenciaram dos peixes na linha evolutiva.

Fonte:  Vida de Bicho

Publicado em Outubro/2022

Sobre Edson Rechi 921 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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