Pele de tilápia é usada para tratar animais queimados no Pantanal

Pele de tilápia é usada para tratar animais queimados no Pantanal

 

Um filhote de veado-catingueiro, três antas, um tamanduá-bandeira e uma cobra sucuri já receberam o tratamento que usa a pele de tilápia como curativo para queimaduras.

Com as queimadas no Pantanal, os animais são os que mais sofrem, por causa dos ferimentos. Por isso pesquisadores e veterinários se uniram para ajudá-los por meio de uma técnica brasileira inovadora.

O método foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará e do Instituto de Apoio ao Queimado. As peles da tilápia, que normalmente descartadas pela indústria – são desidratadas, esterilizadas, e ficam armazenadas em temperatura ambiente

Depois, são aplicadas sobre os ferimentos, funcionando como um curativo para a região queimada e ajudando sua cicatrização.

“A pele da tilápia tem uma camada grande de colágeno, que é importante no processo de cicatrização da queimadura”, explica o biólogo Felipe Rocha, coordenador da Missão Ajuda Pantanal e pesquisador do projeto Pele de Tilápia.

O tratamento já foi usado em uma sucuri (acima), um veado-catingueiro, três antas e um tamanduá-bandeira. Um tuiuiú aguarda na fila de espera para receber a pele de tilápia
Foto: divulgação/Felipe Rocha

Caso mais famoso

Um tamanduá-bandeira teve as quatro patas queimadas na região do Passo do Lontra (MS) e recebeu o tratamento com o couro de tilápia e a placenta de cavalos para reconstituição da pele.

O atendimento está sendo feito no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) de Campo Grande, em parceria com um empresa especializada.

De acordo com o responsável técnico Lucas Cazati, o estado de saúde dele é grave, com queimaduras intensas nas quatro patas e um ferimento no focinho.

“A saúde desse animal é complexa, mas com o procedimento ele começa a apresentar melhoras. Estamos tentando fazer ele se alimentar sozinho”, explica.

As biomembranas foram aplicadas nas quatro patas, sendo a pele de tilápia nas patas dianteiras e a placenta do cavalo nas patas traseiras, levando em consideração as características da lesão de cada pata.

A placenta equina ajuda na cicatrização e crescimento das células da pele, além de proteger o ferimento

A técnica está sendo um sucesso porque facilita o manejo do animal em fase de recuperação, reduzindo a quantidade de sedações para que seja feita a manutenção do curativo.

Além da pele de tilápia, a placenta equina é usada envolvendo a pata do tamanduá
Foto: Divulgação/CRAS

As queimadas

O problema na região já dura mais de dois meses e a área destruída representa 27% do seu território consumido pelo fogo até 11 de outubro deste ano.

Desde janeiro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou mais de 17 mil focos de calor no pantanal. Os números são maiores do que todo o ano de 2019, que registrou 10.025 focos – um aumento de 74%.

Fonte: Revista Pesca & Companhia

Publicado em Outubro/2020

Sobre Edson Rechi 847 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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