Peixes ficam com sequelas quando expostos a agrotóxicos

 

Os peixes de água doce quando expostos a ação dos agrotóxicos sofrem alterações no sistema nervoso capazes de provocar mudanças em seu comportamento. Isto também os deixa mais vulneráveis aos predadores, de acordo com um estudo feito na Costa Rica.

A pesquisa foi feita como tese de Mestrado em Biologia na Universidade da Costa Rica (UCR) e contou com a colaboração do Instituto Regional de Estudos de Substâncias Tóxicas da Universidade Nacional da Costa Rica. Os resultados foram divulgados na revista acadêmica Scientific Reports.

O estudo feito pela bióloga Natalia Sandoval Herrera comprovou que um nematicida empregado nas plantações de banana, pertencente ao grupo dos pesticidas repletos de fósforo, deixa os peixes com menos capacidade de reação.

O peixe observado foi a “sardinha do rio” (Astyanax aeneus), nativa e presente na maioria dos ambientes de água doce e estuarianos da Costa Rica. A espécie é muito similar ao lambari encontrado em muitas represas e rios brasileiros.

Um peixe muito similar ao lambari foi empregado nesta pesquisa feita na Costa Rica (Foto: Researchgate.net)

A nematicida causou “a inibição de até 54% de uma enzima chamada colinesterase, a encarregada de ativar o sistema neurotransmissor, que está em sinapses com os neurônios”.

“Isto se dá porque a molécula do agrotóxico se une a esta enzima e gera uma quebra do neurotransmissor nos neurônios, o que provoca uma sobre estimulação nervosa, afetando o comportamento dos peixes”, cita a investigação.

Depois de submetidos ao contato com a substância agrícola, os peixes foram levados para um local não poluído. A espécie em questão prefere locais mais camuflados, mas, por conta do efeito neural, ficou em locais mais limpos e nítidos – o que a tornaria uma presa fácil. Além disso, ficaram mais lentos e fracos.

Para este estudo os peixes foram divididos em dois grupos. Um que ficou em condições regulares e outro que ficou em um tanque peixeiro durante 48 horas com a concentração mínima de agrotóxico. Nestes locais, foi empregado um indicado de neurotoxidade.

“Os biomarcadores que foram usados para medir os efeitos celulares e de comportamento dos peixes proporcionaram uma importante informação para a ciência”, adverte o estudo.

Por LIELSON TIOZZO – Revista Pesca e Companhia 

Publicado em Setembro/2019

Sobre Edson Rechi 768 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

1 Comentário

  1. Então Édson! Como eu falei lá no grupo! É o homem destruindo cada vez mais a natureza! É complicado preservar, mas é bem possível conservar ela! O problema é que o agrotóxico, todos, começam a não surtir efeito no que antes combatia com eficácia! Pois as pragas começam a ficarem imunes ao mesmo! Então é como as bactérias, quando se toma erroneamente os antibióticos! Só fazem eles, tanto as pragas das lavouras, quanto as bactérias! Cada vez mais evoluídas! E assim tendo que Se usar agrotóxicos, pesticidas e antibióticos cada vez mais fortes! Acabando assim com o meio em seu torno! Não é fácil não! Parabéns por mais um bom artigo!

     

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