O peixe que finge orgasmos

Pelo menos foi o que um novo estudo dos biólogos do Conselho Nacional de Pesca da Suécia descobriu. Depois de analisar 117 pares de trutas marisca, ou trutas-marrom (Salmo trutta), eles notaram que as fêmeas enganaram os machos em 69 ocasiões.

O cortejo desse tipo de peixe envolve tremer violentamente com as bocas abertas. Em circunstâncias normais, o próximo passo seria o “sexo”, momento no qual, quase simultaneamente, a fêmea libera seus óvulos e o macho seus espermatozoides para maximizar as chances de fertilização.

O que aconteceu em algumas das vezes, no entanto, foi que a fêmea “deu para trás” no último minuto, enquanto o macho sempre lançou seu esperma.

“Se ela sente que o macho não está na posição ou momento corretos, ela simplesmente para o processo”, disse o cientista Peter Peterrson.”Mas o macho está tão animado que interpreta os sinais da fêmea e vai até o fim. Ele é enganado”.

“O que acontece é que, essencialmente, a fêmea faz o que parece ser um comportamento de orgasmo na frente do macho, e ele não fica muito consciente de se ela está liberando ovos ou não”, diz Matt Walker, outro pesquisador do estudo.

Manipulações cruéis à parte, por quê a truta tem esse comportamento?

Os pesquisadores suspeitam que as fêmeas se comportam dessa maneira para analisar os machos e ver quem é o melhor parceiro. Se um macho “superior” se aproximar da fêmea, ela repete o processo de cortejo e acasala com o melhor peixe. Caso contrário, ela gera filhotes com o macho que inicialmente enganou.

Além disso, a tática pode ser um “teste” contra a infertilidade masculina: será que ele tem mesmo esperma? Ela não desperdiça seus óvulos até ter certeza.

Por fim, os pesquisadores perceberam que quanto mais orgasmos a truta fingia, mais machos depositavam esperma até o momento em que ela finalmente lançou seus ovos. Chances maiores, chances melhores. Esperta, hein?

Fonte: Hypescience

Publicado em 04/06/2017

Sobre Edson Rechi 685 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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