Para a Manutenção de uma Água Saudável nos Aquários

 

Escrito Por Katsuzo Koike – Retirado do Site AqOl.

Grande parte dos problemas que os aquaristas enfrentam em sua atividade diz respeito à saúde da água que mantêm em seus tanques. O decreto é duro: sem água equilibrada, sem peixe. Daí a constante luta dos aquaristas pela qualidade da água. Já foi dito em outro artigo que o fato da água parecer cristalina não a qualifica como “saudável” para a vida dos peixes. A “qualidade” que falamos aqui não diz respeito às condições de potabilidade da água (boa para consumo humano), e sim que seja biologicamente adequada à vida aquática. Os nossos colegas iniciantes, na ânsia de montar seu aquário e de comprar os peixes mais bonitos que encontram nas lojas, não fazem qualquer estudo prévio sobre os procedimentos corretos do hobby, pouco se importando com a condição da água onde viverão os peixes. Não pretendemos expor os principais erros dos aquaristas de primeira viagem, e sim discutir um pouco sobre o que deve ser feito para manter a qualidade biológica e química da água, para o sucesso na arte de criar peixes ornamentais.

No meio natural, as águas de rios, lagos, riachos, fontes e açudes não condizem simplesmente com H2O puro, mas configuram uma verdadeira “sopa” de várias substâncias e elementos, como sais, matéria orgânica, coliformes, amônia, manganês, ferro, cálcio, nitritos, etc. Elas também não estão livres de microrganismos como bactérias, protozoários, algas, plânctons, etc.

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Foto: http://caminhadasecologicasrj.wordpress.com/2012/01/16/sobre-a-trilha-do-acude-do-camorim/

Porém, quando falamos em aquários, como sistemas artificiais, as possibilidades para uma água saudável dependem de alguns fatores e atitudes externas, para torná-la apropriada à vida dos peixes. O sistema de filtragem, a temperatura, bem como os parâmetros mais conhecidos da água, como DH, Ph, presença de nitritos e amônia precisam de atenção redobrada por parte do criador. Podemos atentar para os sinais que no aquário denunciam algum tipo de problema grave ou desequilíbrio na biologia do mesmo:

– Turvamento da água (para uma cor leitosa ou verde, principalmente);

– Aparecimentos de diversas algas e fungos, alguns mais perigosos que outros (algas azuladas, vermelhas e pretas são mais perigosas que as verdes e filamentosas);

– Comportamentos estranhos dos peixes, como respiração ofegante, falta de apetite ou de movimentação e barbatanas encolhidas ou roídas.

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Um sistema artificial dependerá diariamente do seu cuidador. Foto: K. Koike

Um desequilíbrio no trabalho de bactérias benéficas no aquário é denunciado pela elevada presença de nitritos (NO2), amônia em meio aquoso (NH4OH) e fosfatos (PO4), que podem prejudicar a vida aquática. Os dois primeiros são “venenosos” em certa quantidade, e o terceiro, apesar de não afetar diretamente os peixes, se alcançar níveis elevados, vai contribuir para a proliferação de algas. Lembremos que um dos maiores causadores de algas em aquário é a inserção de plantas já com algas no mesmo, pelo que o aquarista deve ter cuidado em relação às plantas novas.

Mas o que gera aumento desses elementos na água dos aquários? Sobras de alimento, decomposição de peixes e plantas, fezes acumuladas dos peixes, produtos químicos colocados na água, seja para controle de PH, DH ou sais, falta de trocas parciais de água são as causas mais comuns. Por exemplo, fosfato acima de 1,0 mg/L no aquário, pode provocar o surgimento de algas; muito nitrito na água interrompe o crescimento normal de peixes jovens além de prejudicar os processos reprodutivos. É preciso saber que durante a ciclagem do aquário, é normal que esses elementos alcancem níveis críticos, mas que tendem a diminuir com o passar das semanas, pelo trabalho de bactérias boas e plantas. Mas o que pode ser feito para a manutenção de uma água saudável para os peixes?

1. Realizar trocas semanais, de 20 a 30% por semana. É importantíssimo renovar a água nos aquários para manter seu equilíbrio biológico, algo comparável a abrirmos sempre as janelas de casa, para arejar, evitando que o ar fique abafado e com mau cheiro. Mudar periodicamente certa quantidade de água é a melhor maneira de manter os níveis de nitrato e fosfato baixos em nossos aquários. Os peixes vão agradecer, parecendo muito mais saudáveis. Mas essa água a ser trocada não deve provir diretamente da torneira, mas de um reservatório com água descansada por pelo menos 2 a 3 dias, tempo para a eliminação de gases venenosos presentes nas águas tratadas das cidades. Quem dispuser de água de fontes naturais pode efetuar a troca no mesmo dia (algo raro para quem vive em apartamentos urbanos). De experiência própria, é preferível que se faça duas trocas de 10% no volume do aquário (melhor que uma vez de 20%) por semana, aproveitando para fazer uma sifonagem, em uma delas. Por mais que não pareça, é só mexer no substrato para ver o tanto de detritos que se acumulam ali. Lembro que o cálculo de volume a ser trocado nas TPAs recai sobre o valor REAL do volume de água do aquário (e não o valor BRUTO, que temos pelo cálculo das medidas; o valor REAL = VALOR BRUTO – 10% a 15%). Também é útil retirar a camada oleosa que se forma geralmente na superfície dos aquários (com uma vasilha ou com a técnica do jornal: tome uma folha de coloque sobre a superfície, e em 2 segs, retire: o óleo sai junto. Faça isso até acabar a oleosidade). Quando fizer as trocas parciais, não faça a assepsia do filtro, pelo menos no mesmo dia, pois pode prejudicar as bactérias benéficas presentes no mesmo. Os aquaristas que apenas trocam (ou completam) a água uma vez por mês estão propensos a ter mais problemas na biologia do seu tanque do que quem faz isso semanalmente, e poderá ter perdas de peixes. De modo análogo, trocas exageradas (mais de 50%) da água, de uma só vez, pode ter conseqüências trágicas para a vida do tanque, pois pode prejudicar os parâmetros da água e a vida de bactérias.

2. Alimentar os peixes com moderação, e alterar os alimentos – Uma das fontes de fosfato no aquário está nos alimentos em flocos, que o utilizam como conservante. Observe a marca que usa, em seus ingredientes, para achar uma com menos fosfato. Uma pitada de ração uma vez por dia é suficiente para a maioria dos peixes adultos. Remova todos os restos de comida pronta que restarem no aquário, no fundo ou na superfície. O excesso de comida, apodrecendo na água, torna o ambiente tóxico, acidificando e turvando a água, criando fungos e bolor (gelatinosos e brancos), o que causa grande estresse aos peixes. Também, peixes muito gordos adoecem mais fácil, em seus órgãos internos, como o fígado, por exemplo.

3. Ter atenção e cuidados com a flora do aquário. As plantas, nem preciso nem falar aqui, são muito úteis na função de equilibrar a biologia do sistema. Os peixes naturalmente adoram viver junto às plantas. Porém, as plantas necessitam de cuidados com substrato, água e iluminação. Águas pobres em nutrientes tendem a degenerar as plantas, prejudicando seu desenvolvimento e levando conseqüentemente a seu aniquilamento, o que ninguém deseja. Há excelentes adubos preparados, nutrientes líquidos, além de pastilhas, que atuam para o florescimento e a exuberância das plantas do aquário. Muitas espécies de plantas ajudam a filtrar a água, e a interromper a proliferação de algas, pois disputam com elas os nutrientes dissolvidos na água.

4. Atentar para a correta movimentação da água e funcionamento devido do filtro. Seria inviável para um sistema pequeno e artificial sobreviver sem movimentação da água. Mas o excesso de movimentação pode prejudicar a vida do aquário, não só a dos peixes e plantas, mas a das bactérias também. É preciso verificar diariamente se a bomba está funcionando. Os filtros também devem ser limpos com certa periodicidade, e ter os elementos filtrantes – químicos e mecânicos – trocados na época devida.

Deixo ainda alguns dados interessantes sobre a “água dos aquários”, com base tanto em fontes científicas quanto “empíricas”:

– Cuidar da água do aquário é preservar a tranqüilidade dos peixes que nele vivem;

– A qualidade da água varia segundo cada região, pois depende diretamente dos aspectos geológicos de sua proveniência;

– Colocar peixes diretamente na água que sai das torneiras é morte certa, devido principalmente ao cloro presente nas águas tratadas de cidades;

– Todo aquário recém-montado precisa de um tempo de “ciclagem”, para estabilizar o sistema;

– É sempre bom atentar para a coloração da água dos aquários; (há um artigo neste Fórum sobre isso: Sobre a Cor da água do áquário)

– É preciso atentar para os parâmetros de água de cada peixe ou grupo de peixes que se pretende criar (antes de adquiri-los, óbvio)

– Aquários sem plantas naturais serão sempre mais complicados para equilibrar biologicamente;

– Não há ligação direta entre Ph e DH: uma água pode ser ácida e dura, mole e alcalina, ou vice-versa;

– Águas ácidas inibem o crescimento de muitas algas e fungos, e muitas espécies de peixes preferem águas ligeiramente ácidas para reproduzir, conseguindo evitar fungos nos ovos);

– Águas muito duras, ou seja, com muita quantidade de sais de calcário e magnésio diluídos (DH entre 15 e 25) dificultam a reprodução de muitos peixes;

– As águas da chuva ou do gelo da geladeira não são calcárias (mineralizadas);

– Certas pedras, substratos, bem como de troncos mal tratados no tanque interferem na qualidade da água, alterando, por exemplo, o Ph.

– Quanto mais tempo se mantiver a água no aquário, maior será a sua dureza, pois com a evaporação, a concentração de sais tende a aumentar;

– Para completar a água que evapora do aquário, a água da chuva é uma boa opção (claro, não sendo poluída), por não ser mineralizada;

– Plantas aquáticas com raízes nutrem-se de sais minerais; e os peixes precisam deles também, diluídos na água, pois não vivem em água destilada – morta;

– A presença de pequenos caramujos no aquário, como seres que filtram a água, serve de verdadeiro “termômetro” biológico para o meio. Seu sumiço ou morte é um fato preocupante, sobretudo em relação à água;

– Algas benéficas são comidas pelos caramujos do aquário; as algas das quais esses seres “fogem” são tóxicas, por isso cuidado. Segundo os biólogos, há mais de 3 mil espécies de algas;

– O definhamento ou morte de plantas é um mau sinal para a qualidade da água do aquário: indica que a água está pobre ou com parâmetros impróprios, biologicamente falando;

– Aquário com mau cheiro sinaliza uma péssima qualidade de água, e exige intervenção radical por parte do criador, seja sobre a água, sobre o substrato, seja sobre peixes e outros seres;

– Forçar alterações nos parâmetros da água, seja por qual motivo for (em geral, por pressa) não é indicado, e a experiência mostra que tais atitudes quase sempre levam ao fracasso; respeite o tempo da natureza;

Por fim, mesmo com todos esses cuidados para mantermos uma água saudável nos aquários, devemos estar sempre atentos para os seus parâmetros, que devem ser rotineiramente medidos. Outro dado que merece menção é ter sempre bom senso na quantidade de peixes a serem mantidos no meio. As receitas dadas aqui podem não ser muita novidade para alguns, mas podem ser de grande proveito para muitos amigos que querem alcançar sucesso e satisfação na criação de peixes ornamentais.

 

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5 Comentário

  1. Informações super importantes e que muitos de nós por vezes não ligamos, pois estamos ansiosos por ter tudo pronto. mas a pressa é inimiga da perfeição. adorei os artigos que li com muita atenção. Obrigado

     
  2. Comprei um aquário e dois quilos de pedras as mesmas deixei de molho e fui lavando no decorrer dos dias, comprei um filtro e doze peixes e mais dois quilos de pedras só que a vendedora me aconselhou lavar as pedras para retirar as impurezas e colocar no aquário depois colocar água de torneira com um ante cloro e colocar os peixes eu fiz só que tem alguma coisa matando os peixes vou tirar os que estão vivos e colocar em uma água que guardei. Vcs podem me ajudar me dando uma dica agradeço pela atenção.
    Antonio José

     
    • Bom dia antónio, normalmente um aquario para ficar pronto para receber peixes deve ficar a ciclar (a trabalhar) durante mais ou menos um mês.É importante saber se os peixes que você colocou são de águas alcalinas (PH entre 7 e 7.5) ou se são de águas acidas tambem chamadas tropicais em que o PH pode variar entre 6 e os 6.8. Além disso existem valores que têm que estar a zero como a amónia, o nitrito, o nitrato e o cloro. Se estiver a usar CO2 muito cuidado pois se as concentrações forem elevadas, de noite vão ficar mais ainda. Não convém superlotar o aquario com muitos peixes, e convém também ver se são compativeis entre si.

      Espero ter ajudado

      Emanuel Sousa

       

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