Labeo Munense, Redfin shark (Epalzeorhynchos munense) | Ficha técnica

Nome Científico: Epalzeorhynchos munense (Smith, 1934)
Ordem: Cypriniformes — Família: Cyprinidae
Nome popular: Labeo de nadadeira vermelha (Munense) — Inglês: Redfin shark
Distribuição: Ásia, bacias do Mekong, Chao Phraya e Maeklong
Etimologia: Palzeorhynchos, do grego Epalzeo, historicamente, fontes antigas e o site científico FishBase traduziam este termo como “curativo” ou “médico”. No entanto, revisões taxonômicas modernas sugerem que a tradução provável seja “chifre” ou “protuberância”. Isso faz referência a uma pequena projeção cônica ou em formato de espinho que esses peixes possuem na região do focinho. Hynchos significa “focinho”, “bico” ou “nariz”.
Munense, do latim, se referindo ao Rio Mun (Menam Mun), localizado no leste da Tailândia.
O sufixo –ense denota origem (“proveniente de”). Portanto, munense significa “do Rio Mun”, local exato onde os primeiros exemplares utilizados para descrever cientificamente a espécie foram coletados.
Status de Conservação (IUCN Red List): Vulnerável (2026)
Sinônimos: Labeo erythrura, Epalzeorhynchos munensis, Labeo munensis
Descrição
O Labeo Munense apresenta a cabeça, o corpo e a nadadeira anal de coloração preta. A nadadeira caudal e dorsal são de um vermelho brilhante. As nadadeiras pélvicas e peitorais possuem margens pretas. Seu corpo é alongado e formato semelhante ao de um pequeno tubarão (assim como outros parentes do gênero Epalzeorhynchos), contando com barbilhões ao redor da boca.
Bem parecido com o Epalzeorhynchos frenatum, a principal diferença visual está na distribuição das cores vermelha e preta, além de detalhes sutis na cabeça e nas nadadeiras. Basicamente as diferenças estão na coloração das nadadeiras:
- Se o peixe tiver todas as nadadeiras vermelhas, é um Tubarão Arco-íris (E. frenatum).
- Se o peixe tiver apenas a nadadeira caudal vermelha (ou avermelhada) e as outras nadadeiras pretas, trata-se do raro Epalzeorhynchos munense.
Foi coletado originalmente em 1926 no Rio Mun (Tailândia) pelo renomado cientista americano Hugh McCormick Smith, que na época trabalhava como conselheiro de pescas para o Reino do Sião (atual Tailândia).
No entanto, Smith só publicou a descrição oficial da nova espécie oito anos depois, em 1934. Foi aí que começou a confusão. No artigo científico de 1934, Smith descreveu o peixe como tendo o corpo marrom, a nadadeira dorsal preta com borda branca e a nadadeira caudal branca.
Por décadas, cientistas procuraram por esse peixe “de cauda branca” na natureza e não o encontravam.
Mais tarde, descobriu-se o motivo: o exemplar (holótipo) coletado por Smith ficou guardado em álcool por 8 anos antes de ser analisado. O álcool removeu completamente o pigmento vermelho natural das nadadeiras do peixe, fazendo com que o rabo parecesse branco no laboratório.
Durante grande parte do século XX, o E. munense foi considerado uma espécie fantasma ou um sinônimo inválido de outros peixes devido à descrição errada das cores. A identidade real do peixe só foi definitivamente estabelecida em 1998 pelo ictiólogo suíço Maurice Kottelat.
Ao analisar novos peixes vivos coletados na bacia do Rio Mekong, Kottelat percebeu que eles batiam exatamente com a anatomia descrita por Smith, mas exibiam na verdade um corpo preto com nadadeiras dorsal e caudal vermelhas brilhantes. Ele desvendou o mistério do desbotamento químico causado pelo álcool.
Diferente de seus parentes famosos (como o Epalzeorhynchos bicolor, que chegou a ser considerado extinto na natureza e hoje sobrevive massivamente graças à reprodução comercial), o E. munense seguiu o caminho inverso. Se tornou raro no aquarismo e comum na natureza.
- Tamanho Adulto: 9,3 cm
- Expectativa de Vida: 5 a 8 anos +
Distribuição e Habitat
Nativo da Indochina, no Sudeste Asiático. Ao contrário de alguns parentes do mesmo gênero que possuem populações restritas, sua área de ocorrência original é um pouco mais ampla na região, embora ele seja considerado raro em seu habitat.
- Bacia do Rio Mekong: Presente ao longo deste imenso sistema que corta países como Tailândia, Laos, Camboja e Vietnã.
- Bacia do Rio Chao Phraya: Encontrado neste grande rio que corre principalmente pelo centro da Tailândia.
- Bacia do Rio Mae Klong: Outro sistema fluvial importante na porção ocidental da Tailândia onde a espécie está registrada.
- Lago Tonle Sap: Ocorre também neste grande sistema de lagos e rios conectados no Camboja.
Países: Camboja, Laos, Vietnã e Tailândia
Ambiente: Água doce
Habitat: Na natureza, ele habita principalmente a zona inferior e média (meia-água e fundo) de rios e riachos de fluxo rápido, costumando se abrigar entre rochas e pedregulhos.
Durante o período de inundação das monções, ele deixa o leito principal dos rios e migra para florestas e planícies inundadas para se alimentar e se abrigar. Conforme o nível da água recua, ele retorna para os canais principais dos rios.
- pH: 6.5 a 7.5
- Dureza: 2 a 15 dGH
- Temperatura: 20°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de, no mínimo, 200 litros, com comprimento mínimo de 100 cm e largura desejável de 50 cm.
Decore o aquário com troncos, rochas grandes e vasos de argila. Crie várias cavernas e barreiras visuais para que o peixe estabeleça um território claro e sinta-se seguro. Use areia fina ou cascalho liso e arredondado para não ferir os barbilhões sensíveis da boca do peixe ao raspar o fundo.
É obrigatório o uso de tampa bem ajustada, pois são peixes propensos a saltar do aquário quando assustados.
Por habitar rios de fluxo rápido na natureza, ele exige um sistema de filtragem eficiente que promova boa circulação e alta concentração de oxigênio dissolvido na água.
Comportamento e Compatibilidade: O ponto mais crítico é o manejo do seu temperamento territorial. Assim como o Labeo Bicolor e o Frenatus, esta espécie torna-se extremamente agressiva com peixes de formato ou hábitos semelhantes à medida que amadurece.
Mantenha apenas um exemplar por aquário. Juntar dois da mesma espécie ou do mesmo gênero resultará em brigas severas, frequentemente fatais. Escolha peixes rápidos que habitam as zonas superior e média do aquário. Cardumes de tetras grandes, barbos ativos (como o Barbo-Sumatra), Rasboras e ciclídeos de médio porte robustos funcionam bem.
- Área de Natação: Fundo / Meio
- Quantidade mínima: Sozinho
- Nível de dificuldade: Fácil
Alimentação
Possui uma dieta onívora com forte base herbívora. O seu corpo e a estrutura da sua boca são perfeitamente adaptados para raspar alimentos fixados em superfícies sólidas, como rochas e troncos nos leitos dos rios.
A base da sua alimentação é o aufwuchs (termo alemão para “crescimento superficial”). Trata-se de uma densa camada de biofilme que cobre as rochas e pedregulhos dos rios de correnteza rápida, composta por algas filamentosas, microalgas, fitoplâncton e detritos orgânicos ricos em nutrientes.
Enquanto raspa as algas das rochas, ele consome secundariamente de forma oportunista os pequenos organismos que vivem camuflados nessa vegetação como pequenos crustáceos, copépodes, larvas de insetos aquáticos e zooplâncton em geral.
Esta espécie é utilizada para fazer prahok (um tipo de pasta de peixe) ao longo do Tonlé Sap, Camboja.
Reprodução
Sua reprodução em aquários domésticos é extremamente rara e não há relatos documentados de sucesso por aquaristas amadores. Na natureza, eles dependem de migrações sazonais complexas e gatilhos ambientais difíceis de replicar em cativeiro.
Os exemplares eventualmente encontrados no comércio internacional vêm de grandes fazendas de piscicultura no Sudeste Asiático (principalmente na Tailândia).
A reprodução nessas fazendas é feita artificialmente por meio de indução hormonal (hipofisação), onde os reprodutores recebem estímulos químicos para liberar os ovos e o esperma. Os ovos são fertilizados manualmente pelos criadores e mantidos em incubadoras comerciais com fluxo constante de água e oxigenação extrema.
Na bacia do Rio Mekong, a desova está intrinsecamente ligada à época das monções (chuvas intensas). O peixe precisa nadar rio acima em direção a áreas específicas de reprodução e a chegada das chuvas altera bruscamente a condutividade da água, derruba a dureza (GH) e causa uma flutuação sutil de temperatura.
A desova ocorre quando eles atingem as florestas inundadas, onde os ovos (que são pelágicos/flutuantes) encontram abrigo e microalgas abundantes para as larvas.
Durante a época de cheias, o casal libera os óvulos e o esperma diretamente na coluna d’água de forma simultânea. Os ovos fertilizados não são aderentes; eles flutuam e são levados pela correnteza em direção às áreas inundadas.
Como os pais não protegem o ninho nem os filhotes, a espécie compensa a falta de cuidado parental liberando uma grande quantidade de ovos. Ao eclodirem, as larvas e os alevinos precisam se esconder sozinhos na vegetação densa das florestas inundadas. Esse ambiente oferece proteção contra predadores e abundância de microalgas (aufwuchs) para que cresçam de forma independente.
- Maturidade Sexual: Próximo de 12 a 24 meses
- Cuidado Parental: Não ocorre
Dimorfismo Sexual: Diferenciar o macho da fêmea visualmente é uma tarefa muito difícil, especialmente em peixes jovens. As fêmeas quando adultas e maduras são ligeiramente mais encorpadas e roliças na região abdominal devido ao desenvolvimento dos ovos.
Enquanto os machos costumam ser um pouco mais esguios e, em algumas espécies parentes, exibem de forma sutil cores ligeiramente mais intensas na nadadeira dorsal durante o ápice reprodutivo.
Referências
Kottelat, M., 1998. Fishes of the Nam Theun and Xe Bangfai basins, Laos, with diagnoses of twenty-two new species (Teleostei: Cyprinidae, Balitoridae, Cobitidae, Coiidae and Odontobutidae). Ichthyol. Explor. Freshwat.
Rainboth, W.J., 1996. Fishes of the Cambodian Mekong. FAO species identification field guide for fishery purposes. FAO, Rome
Vidthayanon, C., J. Karnasuta and J. Nabhitabhata, 1997. Diversity of freshwater fishes in Thailand. Office of Environmental Policy and Planning, Bangkok.
Kottelat, M., 2001. Fishes of Laos. WHT Publications Ltd., Colombo 5, Sri Lanka.
Publicado em Setembro/2026