Peixe Charutinho (Pyrrhulina semifasciata) – Ficha técnica

Nome Científico: Pyrrhulina semifasciata (Steindachner, 1876)
Ordem: Characiformes — Família: Lebiasinidae
Nome popular: Charutinho, Peixe Lápis — Inglês: Pirrhulina
Distribuição: América do Sul, bacia do rio Amazonas
Etimologia: Pyrrhulina, do grego pyrrhos, que significa “vermelho” ou “cor de fogo” + sufixo –ina que indica uma forma diminutiva. Significa, literalmente, “pequeno peixe cor de fogo”.
Semifasciata, do latim semi que significa “metade” ou “parcial” + latim Fasciata que significa “listrado” ou “enfaixado” (de fascia, faixa/banda). O termo descreve a faixa escura horizontal presente no corpo do peixe, que não estende por toda a sua extensão, cobrindo apenas uma parte (geralmente da ponta do focinho até parte do flanco).
Status de Conservação (IUCN Red List): Pouco preocupante
Sinônimos: –
Descrição
Membro da família Lebiasinidae que inclui os populares Peixes Lápis e Copeinas.
Possui uma faixa escura e estreita bem característica que se estende através da cabeça e continua pelo corpo.
Há confusão na literatura quanto à identidade desta espécie; Steindachner (1876) observou que poderia ser P. laeta (Cope, 1871). No entanto, P. semifasciata possui uma faixa preta estreita e distinta que se estende pela cabeça e pelo corpo quase até a nadadeira dorsal, enquanto em P. laeta a faixa preta termina logo atrás da cabeça.
- Tamanho Adulto: 7 cm
- Expectativa de Vida: 3 anos
Distribuição e Habitat
A espécie possui forte ocorrência registrada em rios e reservas no interior do Amazonas, como na bacia do rio Solimões e na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã.
Países: Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela. No Brasil ocorre no estado do Amazonas.
Ambiente: Água doce
Habitat: Comum em igarapés sombreados, margens de rios com pouca correnteza e áreas inundadas de várzea. Prefere locais com presença de vegetação aquática densa, galhadas e folhas secas depositadas no fundo, que servem tanto de abrigo quanto de sítio para a busca de alimentos.
- pH: 5.8 a 7.5
- Dureza: 1 a 5
- Temperatura: 22°C a 28°C
Criação em Aquário
Aquário de pelo menos 60 litros com dimensões mínimas de 60 cm de comprimento e 30 cm de largura desejável.
O ideal é que o aquário seja bem plantado, deixando o centro livre para proporcionar espaço para nadar. Suas cores ficam mais vistosas em substratos escuros.
É uma espécie que passa a maior parte de seu tempo na superfície do aquário, devendo ser mantido tampado uma vez que tende pular.
Comportamento e Compatibilidade: Como a maioria de seus parentes próximos, esta espécie se desenvolve livremente em cardumes, se adaptando melhor em grupos de 5 ou mais espécimes, se dando bem com a maioria dos companheiros de aquário pacíficos e de tamanho semelhante.
Machos eventualmente podem ser agressivos entre si disputando território e fêmeas. Razão pela qual quanto maior o grupo melhor. Desta forma qualquer agressão será espalhada entre todos os indivíduos e não somente sobre os mais fracos.
- Área de Natação: Meio / Superfície
- Quantidade mínima: Grupo
- Nível de dificuldade: Fácil
Alimentação
Onívoro. Em seu ambiente natural sua dieta consiste basicamente de insetos que ficam próximo a superfície da água. Em aquário aceitará alimentos secos e vivos sem dificuldades.
Trata-se de um micro predador, por esta razão é importante fornecer alimentos vivos regularmente.
Reprodução
Ovíparo. Durante a época reprodutiva, os machos intensificam suas cores e exibem comportamentos de exibição para atrair as fêmeas.
A fêmea deposita uma massa compacta de ovos aderentes diretamente na superfície de folhas largas submersas, rochas lisas, ou no vidro do aquário próximo à superfície.
Ao contrário da maioria dos caracídeos que espalham os ovos, o gênero Pyrrhulina apresenta um comportamento complexo e protetor, muito semelhante ao dos ciclídeos com o macho protegendo os ovos até que eclodam.
O período de incubação dura entre 36 e 72 horas. Uma vez que os alevinos nascem e começam a nadar livremente, o instinto paternal cessa.
- Maturidade Sexual: Próximo de 6 meses
- Cuidado Parental: Ocorre
Dimorfismo Sexual: Macho possui o corpo com uma forma mais retilínea, esguio e desenvolvem cores mais chamativas. Além disso, suas nadadeiras pélvicas e anal tornam-se mais pontiagudas ou quadradas.
Fêmeas ficam com a região ventral notavelmente roliça e arredondada, devido ao desenvolvimento e acúmulo de ovócitos em seus ovários. Suas nadadeiras pélvicas também têm um formato mais oval.
Referências
- Barriga, R., 1991. Peces de agua dulce del Ecuador. Revista de Informacion tecnico-cientifica, Quito, Ecuador, Politecnica
- Hercos, A.P., A.C. Prado-Villdares, J.M. del Favero, N.A. Zuchi, T.F. Teixeira, F.E.A. Albuquerque and H.L. de Queiroz, 2021. Length-weight relationships of ornamental fish species from Amanã Lake, Amanã Reserve, Amazonas, Brazil. J. Appl. Ichthyol.
- Vari, R.P., 1995. The Neotropical fish family Ctenoluciidae (Teleostei: Ostariophysi: Characiformes): supra and intrafamilial phylogenetic relationships, with a revisionary study. Smithson. Contri. Zool.
- Weitzman, M. and S.H. Weitzman, 2003. Lebiasinidae (Pencil fishes). p. 241-251. In R.E. Reis, S.O. Kullander and C.J. Ferraris, Jr. (eds.) Checklist of the Freshwater Fishes of South and Central America. Porto Alegre: EDIPUCRS, Brasil.
- Aspectos biológicos de Pyrrhulina semifasciata Steindachner, 1876 (Characiformes: Lebiasinidae) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, AM. – Jana Menegassi del Favero; Jana Menegassi del Favero; Paulo Pompeu
- Aspectos biológicos de Pyrrhulina semifasciata Steindachner, 1876 (Characiformes: Lebiasinidae) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, AM. — Jana Menegassi del Favero, Ana Carolina Prado-Valladares, Paulo Pompeu
Publicado em Maio/2026