Tilápia do Congo (Tilapia rendalli)

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Espécime adulto em época de reprodução

Tilapia rendalli (Boulenger, 1897)

Nome Popular: Tilápia Rendali, Tilápia do Congo — Inglês: Redbreast tilapia, Congo tilapia

Família: Cichlidae (Ciclídeos)

Origem: África, bacia do Congo

Tamanho Adulto: 45 cm (comum: 25 cm)

Expectativa de Vida: 7 anos 

Temperamento: variável

Aquário Mínimo: 150 cm X 50 cm X 50 cm (375 L)

Temperatura: 10°C a 34°C

pH: 6.0 a 8.0 – Dureza: indiferente

Visão Geral

Sua distribuição ocorre naturalmente na Bacia do Congo, Lago Tanganyika, Lago Malawi, Zambesi e zonas costeiras do delta de Zambesi. Espécie invasora, distribuída em todas as Bacias do Brasil, disseminada por meio de peixamentos. Habita águas lênticas de lagoas, rios, várzeas e represas em profundidades variando de três a oito metros (variável), normalmente sob densa vegetação.

São peixes de origem africana, muito utilizadas na piscicultura desde o ano 2000 a.C. Além do seu valor nutricional, é apreciada pelo seu desempenho como agente biológico combatendo mosquitos e ervas daninhas aquáticas, como isca viva, na pesca esportiva e na aquariofilia tropical.

Sua introdução no Brasil se deu pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, em 1952 com a importação de exemplares da Tilapia rendalli para o repovoamento das represas com a finalidade de combater a proliferação de algas macrófitas aquáticas. Em 1971 o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) introduziu a espécie Oreochromis niloticus, que apresenta características aconselhadas para a piscicultura brasileira.

De hábito alimentar herbívoro, que não se mostrou atraente para a piscicultura, acabou virando praga em açudes do Nordeste e no estado de São Paulo.

Apresenta coloração verde-oliva prateada, com sobras verticais negras. A cor da nadadeira dorsal também é verde-oliva, com uma linha vermelha e branca até cinza-escuro com pontos oblíquos. Já a nadadeira caudal é pontuada na porção dorsal, vermelha ou amarela na porção ventral. Pode atingir até 45 cm de comprimento e 2,5 kg de peso.

Aquário & Comportamento

Considere aquário com 300 litros ou mais para um pequeno cardume de peixes juvenis, para adulto ideal manter em aquário com pelo menos 200 cm de comprimento. A decoração do aquário para a espécie é indiferente, plantas serão comidas.

É um peixes bastante robusto e territorial em época de reprodução, porém costuma ser tranquilo com outros peixes de mesmo porte podendo ser mantido com outros ciclídeos Africanos ou da América Central de agressividade mediana. Peixes menores serão comidos e frente e indivíduos da mesma espécie costumam impor forte hierarquia com disputas constantes por posições mais elevadas.

Reprodução & Dimorfismo Sexual

Ovíparo. A desova é iniciada pelo macho que escava um buraco. Ele, então, guarda esta área ferozmente e tentar seduzir as fêmeas para acasalar com ele. Uma fêmea disposta põe seus ovos diretamente sobre o local determinado, permitindo que o macho os fertilize antes de levá-los para sua boca. O macho então abandona o território deixando sob responsabilidade da fêmea. Esta transportará os ovos fertilizados na boca por até uma semana antes dos alevinos estar nadando livremente. Ela cuidará da prole pelas duas a três semanas seguintes.

O dimorfismo sexual é evidente. Machos desenvolvem as pontas da nadadeira dorsal e anal em formato pontiagudo e mais alongado, enquanto nas fêmeas são arredondadas.

Alimentação

Onívoro com tendência herbívora. Juvenis alimentam-se de plâncton. Adultos alimentam principalmente de plantas e algas, insetos e crustáceos, secundariamente pequenos peixes, sementes, frutos e raízes. Em cativeiro não é exigente e aceitará qualquer tipo de alimento fornecido, devendo ser incluído matéria vegetal regularmente.

EtimologiaTilapia, nome oriundo do dialeto africano Bechuana que significa peixe

Tilapia-rendalli
Espécime juvenil
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Espécime adulto

Referências

  1. Teugels, G.G. and D.F.E. Thys van den Audenaerde, 1991. Tilapia. p. 482-508. In J. Daget, J.-P. Gosse, G.G. Teugels and D.F.E. Thys van den Audenaerde (eds.) Check-list of the freshwater fishes of Africa (CLOFFA). ISNB, Brussels; MRAC, Tervuren; and ORSTOM, Paris. Vol. 4.
  2. Bruton, M.N., P.B.N. Jackson and P.H. Skelton, 1982. Pocket guide to the freshwater fishes of southern Africa. Cape Town (South Africa): Centaur Publishers, p.88.
  3. Skelton, P.H., 1993. A complete guide to the freshwater fishes of southern Africa. Southern Book Publishers. 388 p.
  4. Thys van den Audenaerde, D.F.E., 1964. Révision systématique des espèces congolaises du genre Tilapia (Pisces, Cichlidae). Ann. Mus. R. Afr. Centr., Sér. In-8°, Sci. Zool., 124:155p.
  5. Philippart, J.-C. and J.-C. Ruwet, 1982. Ecology and distribution of tilapias. p. 15-60. In R.S.V. Pullin and R.H. Lowe-McConnell (eds.) The biology and culture of tilapias. ICLARM Conf. Proc. 7.
  6. Eccles, D.H., 1992. FAO species identification sheets for fishery purposes. Field guide to the freshwater fishes of Tanzania. Prepared and published with the support of the United Nations Development Programme (project URT/87/016). FAO, Rome. 145 p.
  7. van Oijen, M.J.P., 1995. Appendix I. Key to Lake Victoria fishes other than haplochromine cichlids. p. 209-300. In F. Witte and W.L.T. van Densen (eds.) Fish stocks and fisheries of Lake Victoria. A handbook for field observations. Samara Publishing Limited, Dyfed, Great Britain.
  8. Peixes de água doce do Brasil – Tilápia (Tilapia rendalli) – CPT Centro de Produções Técnicas
  9. Ação predadora do tucunaré (Cichla ocellaris) sobre a tilapia do congo (Tilapia rendalli) (Osteichthyes, Cichlidae) – Hitoshi Nomura; J. F. S. Menezes; M. B. F. A. Souza
  10. Levantamento quantitativo de helmintos em peixes da espécie Tilapia rendalli de um lago de um município localizado no norte do estado de São Paulo, correlacionando com a qualidade da água. – Cesar Augusto Fachina; Paulo Ricardo Silva; Marcos Henrique Centurione Ramos; Silvia Helena Zacarias Sylvestre; Wellington Marcelo Queixas Moreira

Ficha por (Entered by): Edson Rechi — Junho/2016

Colaboradores (collaboration): –

Sobre Edson Rechi 734 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

1 Comentário

  1. Edson, quando eu vi a expectativa de vida desse peixe, me lembrei de um ciclídeo que eu tive, popularmente conhecido como acará zebra (http://peixemania.50webs.com/images/zebra.jpg) que mantive por 18 anos em casa. Quando eu o comprei ele tinha cerca de 5cm e no fim ele tinha mais de 20cm. Ele morreu porque eu casei e o deixei aos cuidados da minha mãe. Infelizmente ela não cuidou dele adequadamente e ele acabou morrendo 🙁
    Apesar de ser agressivo com outros peixes, ele era bem manso comigo, permitindo que eu o pegasse com as mãos.

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