Com obra inacabada, morrem 10 mil peixes do Aquário do Pantanal

As variações de temperatura são as principais causas da mortalidade dos animais em cativeiro

Fonte: Top Midia News — Foto: Geovanni Gomes

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O Laboratório Anambi produziu um relatório entregue à Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) em que revela a mortalidade de 80,8% dos peixes em quarentena para o Aquário do Pantanal, obra iniciada e não entregue pela gestão do ex-governador André Puccinelli, do PMDB.

Assinado pelo coordenador do projeto, Thiago Farias Duarte, e pelo diretor do Anambi, Geraldo Augusto da Silva, o documento revela que, entre novembro de 2014 e abril deste ano, 10.160 peixes, principalmente das espécies amazônicas como as arraias, tetras e piabas.

Cerca de 80% dos animais, em especial os de origem asiática (barbus, labeos, entre outros), australiana (peixes arco-íris), africana (ciclídeos, bagres, etc.) e da Bacia Amazônica, foram a óbito pelas variações de temperatura, 10% por um surto de bactérias de origem desconhecida que atingiu principalmente os peixes locais e 10% por causa da captura.

Conforme o relatório, a maioria dos animais retirados de seu habitat natural apresentaram hemorragias, lesões corporais, olhos saltados, coloração anormal, nadadeiras desfiadas ou necrosadas, e letargia, entre outros problemas.

Estavam em quarentena 12,5 mil exemplares de 131 espécies de peixes de água doce, sendo que 68% de espécies eram pantaneiras, retiradas dos municípios de Corumbá, Jaraguari, Miranda, Bonito, Nioaque, Piraputanga, Coxim e Aquidauana, 13% da bacia Amazônica, 8% da África, 4% Oceania e 7% da Ásia.

A captura, manejo e armazenamento das espécies é alvo de investigação do MPE-MS (Ministério Público Estadual). Inquérito conduzido pela promotora Luz Marina Borges Maciel Pinheiro, da 26ª Promotoria de Justiça do MPE, investiga irregularidades no tratamento dos animais e nas licenças ambientais.

Gastos

Para o fechamento do pavilhão de 1500 m² em que os animais foram armazenados, o Governo do Estado gastou R$ 255 mil, somados com R$ 1.298.553,82 para aquisição de materiais de pesquisa e de escritório, como freezer e geladeiras para armazenagem de remédios e amostras, tanque rede, armários e notebooks.

Além disso, o governo precisou desembolsar R$ 330.956,01 para a compra de camionete a ser usada pelo projeto quarentena, bombas d’água, plataformas, entre outros. Estes valores não consideram os custos com manutenção do sistema e a folha de pagamento da equipe, que somou R$ 85,3 mil entre setembro de 2014 e março deste ano.

Recentemente, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) sinalizou que a obra do Aquário do Pantanal pode não ser finalizada até o final do ano, como a equipe do governo previu durante as vistorias realizadas em janeiro. Desde então, uma auditoria investiga irregularidades na obra que deveria ser o maior aquário de água doce do mundo.

Logo no início da administração, a comissão de acompanhamento da obra constatou irregularidades, como o sumiço de R$ 3,8 milhões proveniente do Fundo Estadual do Meio Ambiente. O ex-governador André Puccinelli havia garantido ter deixado R$ 34 milhões para finalização da obra garantido, mas apenas R$ 30,2 milhões foram encontrados no caixa.

À época, o Secretário de Estado de Infraestrutura, Ednei Marcelo Miglioli, não soube explicar qual destino tomou o dinheiro, mas apesar das constatações, resolveu dar continuidade às obras para evitar um novo “elefante branco” no município.

A auditoria é composta por 11 membros, sendo seis indicados pelo governo de Mato Grosso do Sul e cinco por representantes convidados do Ministério Público Estadual (MPE), Tribunal de Contas do Estado (TCE), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU).

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