Armadilhas devem controlar peixe da África que invadiu igarapé no Amapá

Cultivo trouxe consequências ambientais ao Igarapé da Fortaleza, no AP. Pesquisa recomenda o uso de armadilhas tradicionais para o controle.

Estudos realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Amapá mostram que o controle da invasão da tilápia-do-nilo, espécie de peixe originária da África, em áreas alagadas na região do Igarapé da Fortaleza, em Macapá, deve ser feito com armadilhas. A presença da espécie não nativa tem se tornado uma ameaça para outros tipos de peixes que vivem na área.

Segundo os pesquisadores, por não ser uma espécie nativa, a tilápia-do-nilo tem causado a diminuição da população de peixes acarás, por causa da característica invasora desta espécie vinda de solturas e escapes dos cultivos na região.

O pesquisador Marcos Tavares disse que a situação iniciou em 2002, quando foi percebida a presença da espécie na região, que é uma das principais áreas de conservação ambiental no Amapá. Para controlar a proliferação do peixe exótico, a pesquisa recomenda o uso de armadilhas tradicionais, como redes e tarrafas ou captura mais moderna como a pesca elétrica.

Espécie teria aparecido em áreas alagadas no Igarapé da Fortaleza (Foto: Divulgação/ Embrapa)

De acordo com o pesquisador, a presença de tilápia-do-nilo corresponde a cerca de 70% do esforço de pesca no Igarapé da Fortaleza.

“A partir de 2002 a invasão da espécie começou a ser percebida no ambiente. Como ela tem uma característica predadora dos ovos de outros peixes, e se reproduz muito rápido, acabou diminuindo o espaço das espécies nativas, como os acarás, que com o tempo foram diminuindo em quantidade”, explicou.

As várzeas da Bacia Igarapé Fortaleza, integrada ao rio Amazonas, são áreas de preservação permanente (APP), informou a Embrapa, que servem de abrigo e alimentação para diversas espécies de peixes e têm importância na pesca de subsistência para famílias dos municípios de Santana e Macapá.

Segundo o pesquisador, a diminuição das espécies nativas é prejudicial para o ecossistema da região e o cultivo da piscicultura no igarapé, com a alteração na fauna local e comprometendo a pesca.

“O estudo chama a atenção para os problemas da introdução de peixes exóticos, principalmente na região amazônica. Pois, com isso, a presença em ambiente natural de uma espécie não nativa pode sujeitá-la a aquisição de parasitas e doenças típicas das espécies do novo ambiente”, explicou.

A pesquisa aponta ainda que há a necessidade de um plano de manejo para  controle da espécie invasora no Igarapé da Fortaleza, e que está causando uma forte pressão sobre as espécies de peixes nativos

“Recomenda-se, portanto, o controle da população de tilápias, seja por meio de armadilhas tradicionais como a pesca ou capturas mais modernas “, enfatizou o pesquisador.

Fonte: G1 Globo.com

Sobre Edson Rechi 549 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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