Peixe sofreu mutações no DNA para sobreviver em águas poluídas

Males causados pela poluição ambiental ameaçam a sobrevivência dos bichos, que reagem, às vezes, de forma curiosa às ameaças. É o que aconteceu com os killifishes atlânticos, pequenos peixes que vivem em estuários costeiros. Na edição desta semana da revista Science, pesquisadores dos Estados Unidos mostram como alterações genéticas permitiram a esses animais viver em águas com níveis altamente tóxicos de poluentes industriais. Para os investigadores, a descoberta também poderá ajudar a entender de que forma outras espécies, inclusive os homens, podem reagir à exposição regular a produtos químicos.

Na esquerda, um embrião desenvolvido normalmente de um killifish do Atlântico; à direita, um embrião afetado por um grupo de químicos chamado PCB. O peixe da direita tem um coração deformado, enquanto o killifish, que evoluiu para tolerar este tipo de substância, mostra sinais limitados de defeitos. (Imagem por Bryan Clark/U.S. EPA)

Estudos anteriores mostraram que populações de killifishes encontradas em estuários extremamente poluídos toleravam os efeitos tóxicos causados pelos poluentes presentes na água. A constatação intrigou uma equipe de cientistas porque essa espécie marinha era considerada vulnerável à contaminação. “Nosso estudo foi desenhado para descobrir a natureza das mudanças genéticas que foram necessárias durante a evolução de um peixe normalmente sensível em um peixe tolerante”, conta ao Correio Andrew Whitehead, um dos autores do estudo e pesquisador do Departamento de Toxicologia Ambiental da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Para desvendar essa adaptação, Whitehead e colegas sequenciaram o genoma completo de cerca de 400 killifishes atlânticos que viviam em estuários de três estados norte-americanos: Massachusetts, Nova Jersey e Connecticut. As regiões foram contaminadas a partir da década de 1950 por poluentes industriais diversos, como metais pesados e hidrocarbonetos. Os cientistas detectaram alterações genéticas que permitiram com que a espécie se adaptasse a esse ambiente.

Fonte: Sciencemag

Publicado em 16/12/2016

Sobre Edson Rechi 568 Artigos
Aquarista em duas fases distintas, a primeira quando criança e tentava manter peixes ornamentais sem muito sucesso. Após um longo período sem aquários, voltou no aquarismo em 2004, desde então já manteve diversos tipos de aquários como plantado, peixes jumbo, ciclídeos africanos, água salobra, amazônico comunitário e marinho. Atualmente curte e mantém peixes primitivos e ciclídeos neotropicais, suas grandes paixões.

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